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'Irmão' de Bolsonaro, Hélio Negão roda o mundo em comitivas do governo

17.jul.19 - O deputado Hélio Lopes acena ao lado de Bolsonaro e do então ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni - Alan Santos/PR
17.jul.19 - O deputado Hélio Lopes acena ao lado de Bolsonaro e do então ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni Imagem: Alan Santos/PR

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

13/03/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Deputado Hélio Lopes é uma das figuras mais constantes em viagens ao lado do presidente
  • Parlamentar esteve nesta semana em Israel como parte da comitiva que visitou o país atrás de um spray contra a covid
  • Entre os destinos que o amigo de Bolsonaro já visitou oficialmente estão Chile, Antártida, EUA, Japão, Argentina, China e Arábia Saudita

Chamado de "irmão" pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e recém-chegado de viagem a Israel atrás de um spray contra a covid-19, o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), também conhecido como Hélio Negão, se destaca por rodar o mundo em comitivas do governo com a bênção do clã Bolsonaro.

O parlamentar é uma das figuras mais constantes em viagens ao lado do presidente, seja no Brasil ou no exterior. Quando não está com Bolsonaro, está com seus filhos Eduardo Bolsonaro (deputado pelo PSL-SP) e Flávio Bolsonaro (senador pelo Republicanos-RJ), ministros ou outros integrantes do governo.

Somente para fora do país, Hélio já viajou em comitivas para Chile (março de 2019), Antártida (março de 2019), Estados Unidos (maio de 2019 e janeiro de 2020), Japão (junho de 2019), Argentina (julho de 2019), Japão-China-Catar-Emirados Árabes Unidos-Arábia Saudita (outubro de 2019) e Israel (março de 2021), por exemplo.

O deputado de primeiro mandato foi integrante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara entre março de 2019 e fevereiro de 2020.

06.mar.2021 - Comitiva foi a Israel em busca de acordos para vacina e spray contra coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro permaneceu no Brasil - Reprodução/Twitter/Ernestofaraujo - Reprodução/Twitter/Ernestofaraujo
06.mar.2021 - Comitiva foi a Israel em busca de acordos para vacina e spray contra coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro permaneceu no Brasil
Imagem: Reprodução/Twitter/Ernestofaraujo

Hélio participou agora da comitiva chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a Israel para conhecer um spray nasal desenvolvido para combater a covid-19 e tratar de possíveis parcerias. Embora o produto ainda não tenha eficácia comprovada, o grupo formado por dez pessoas, incluindo Eduardo Bolsonaro, foi ao país após o presidente Bolsonaro se interessar pelo spray e considerá-lo potencialmente "milagroso".

Nascido na Baixada Fluminense, o deputado é subtenente do Exército da reserva e perito criminal, graduado em gestão pública e financeira. Não tem, portanto, ligação direta com a área da saúde.

O Itamaraty divulgou que foram discutidos ainda assuntos como Defesa, crimes transnacionais, agricultura e educação entre os ministros das Relações Exteriores do Brasil e de Israel. Não está claro, porém, o que fez a presença de Hélio ser indispensável em Israel.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Hélio Lopes informou que o deputado viajou em resposta a um convite do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Quanto aos seus objetivos nas comitivas, disse ser apoiar as ações do governo em diversas esferas. No caso de Israel, a cooperação para testes do spray nasal e desenvolvimento de vacina contra a covid-19.

A assessoria afirmou que a presença de Hélio é "muito significativa", pois, no âmbito diplomático, é de bom tom o ministro levar parlamentares ligados à área internacional. "Além se serem pessoas de extrema confiança do presidente, o que causa um enorme impacto positivo nas autoridades locais uma vez que há informações de caráter delicado sendo discutidas nas reuniões", disse a assessoria.

O deslocamento de ida e volta a Israel foi por meio de avião da FAB (Força Aérea Brasileira), que levou o restante da comitiva. Sobre as demais despesas, a assessoria do deputado afirmou que ele vai custeá-las com recursos próprios, sem pedir reembolso à Câmara.

Segundo o portal da Câmara, Hélio Lopes fez duas viagens em missão oficial pela Casa, ambas em 2019. A primeira foi em abril daquele ano para participar de conferência sobre o Brasil em Boston, nos Estados Unidos.

A Câmara pagou R$ 8.621,27 entre passagens e diárias para que participasse de um painel no evento, falasse com o público no local, acompanhasse palestra do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), e visitasse a cidade norte-americana, segundo relatório de Hélio entregue à Casa.

Entre dezembro de 2019, Hélio integrou comitiva do ministro das Relações Exteriores que visitou Cabo Verde, Senegal, Nigéria e Angola. No relatório entregue à Câmara, cita reuniões com autoridades e temas tratados, mas sem especificar o motivo pelo qual sua presença seria imprescindível. A Câmara gastou R$ 9.330,40 em diárias, segundo o portal. Não houve despesas com passagens pela Casa, diz.

Escudeiro fiel de Bolsonaro

Hélio passou o último feriado de Carnaval com o presidente da República em Santa Catarina. O parlamentar é figura carimbada em viagens nacionais de Bolsonaro, com destaque a eventos militares. Compromissos em quartéis e o fato de terem sido das Forças Armadas, inclusive, são pontos que os uniram há cerca de 20 anos.

Hélio ajudou na campanha do presidente ao Planalto e usou o sobrenome 'Bolsonaro' quando candidato à Câmara em 2018. De desconhecido do grande público, acabou sendo o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro naquela eleição. Em resposta a críticos, ele nega que Bolsonaro queira aparecer ao seu lado para afastar qualquer imagem de racista e costuma fazer brincadeiras que envolvam sua cor da pele.

No Parlamento, Hélio tem perfil mais discreto do que outros colegas do PSL, é paciente com pedidos de selfies e sempre toma cuidado antes de falar para não emitir opiniões que possam pesar contra ele ou o presidente e evita entrar em polêmicas. Ativo nas redes sociais, a ordem é fugir de polêmicas pessoalmente.

Em 2019, nos bastidores, Bolsonaro ficou irritado quando um 'Hélio Negão' apareceu em inquérito tocado pela superintendência da Polícia Federal no Rio. O episódio agravou uma série de rusgas com membros da corporação. A partir daí, passou a anunciar, publicamente, a demissão do chefe da PF no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi. Segundo a PF apurou depois, se tratava, na verdade, de um homônimo.

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