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7 meses

Centrão aumenta pressão contra Pazuello após efeito Lula e auge da pandemia

Bolsonaro e Pazuello em lançamento do Programa Nacional de Imunização contra a covid-19 - EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsonaro e Pazuello em lançamento do Programa Nacional de Imunização contra a covid-19 Imagem: EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Luciana Amaral e Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

14/03/2021 21h05

Os partidos do centrão —grupo informal alinhado ao governo Jair Bolsonaro em troca de espaço na administração pública— elevaram a pressão pela saída do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, após a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tabuleiro eleitoral em um momento em que o país vive o pior momento da pandemia do coronavírus.

Fora a ala mais fiel ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso, parlamentares concordam há algum tempo que a situação de Pazuello é "insustentável".

No entanto, após Lula recuperar os direitos políticos, tornando-se elegível ao ter as condenações da Lava Jato anuladas, e fazer críticas contundentes ao governo Bolsonaro, o centrão, que tem entre seus principais líderes o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), passou a defender a troca no Ministério da Saúde mais explicitamente.

Neste domingo (14), Lira cobrou alguém com capacidade técnica e política, chegando a citar o nome da cardiologista Ludhmila Hajjar nas redes sociais como um bom nome para substituir o general. Ela se reuniu hoje com o presidente da República.

Para o centrão, Lula é hoje o único político com força para confrontar Bolsonaro e causar estragos reais à avaliação de seu governo perante o eleitorado. Além de criticar Bolsonaro, o ex-presidente fez nesta semana um discurso com contrapontos a ele, saindo em defesa da vacina contra a covid-19 e o uso de máscaras.

"Lula mostrou que ele não vai dar trégua para o presidente Bolsonaro nas suas falas políticas e públicas. A situação do Bolsonaro era muito confortável, não é mais", disse José Nelto (Podemos-GO). Ele é um dos vice-líderes do bloco composto por Podemos, PSL, PL, PP, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, PROS, PTB, PSC, Avante e Patriota.

O recado a Bolsonaro é mudar o discurso

Lideranças do centrão creem que, se Bolsonaro continuar insistindo em minimizar a pandemia e a tocar de forma lenta a vacinação em meio ao fortalecimento de Lula, seu capital político se esfacelará junto ao bloco que compõe sua base aliada no Congresso.

A ordem é já pensar nas eleições de 2022. Portanto, a ordem é também mudar o discurso.

Um integrante do centrão disse ao UOL que "muitos partidos começam a avaliar até que ponto vale a pena ficar carimbado com o governo federal".

Outro fator é que o empresariado também pressiona pela vacinação para voltar à "vida normal" e retomar o crescimento da economia. Esse integrante do centrão afirmou que se engana quem achar que Lula não pode ter a preferência do mercado no futuro. Lembra ainda que o "centrão sempre foi o governo e é muito forte no Nordeste".

Além disso, o centrão ressente-se de o governo não dar mais protagonismo ao Congresso Nacional no combate à pandemia. Também sobram críticas ao fato de Bolsonaro viver às turras com governadores e prefeitos sobre a questão, enquanto o país chega ao auge da crise sanitária.

Um nome para o Ministério da Saúde

Por isso, parte dos integrantes do centrão defende que Bolsonaro nomeie um parlamentar como novo ministro da Saúde. Uma solução aventada seria alguém que também seja médico e tenha experiência em gestão de saúde, como o deputado Luiz Antônio Teixeira Jr. (PP-RJ), conhecido como Dr. Luizinho. Ele diz que rumores relacionados ao seu nome agora são "só especulações".

Se a opção for por um cunho mais político, mesmo que tenha sido ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer (MDB), o próprio líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), não é descartado.

Para um deputado do centrão, um gesto nesse sentido agradaria o bloco e mostraria que o governo está dividindo com o Parlamento a gestão da saúde em meio à pandemia.

No Planalto, auxiliares de Bolsonaro reconhecem que há a tendência de buscar uma solução em prol da unidade com o Legislativo.

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