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Novo chefe da PF, Paulo Maiurino atuou no mensalão e é próximo de Toffoli

Novo ministro da Justiça troca diretor-geral da Polícia Federal e nomeia Paulo Maiurino para o cargo  - Reprodução/Twitter
Novo ministro da Justiça troca diretor-geral da Polícia Federal e nomeia Paulo Maiurino para o cargo Imagem: Reprodução/Twitter

Eduardo Militão e Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

06/04/2021 21h47Atualizada em 06/04/2021 22h09

Delegado de Polícia Federal há mais de 22 anos, Paulo Maiurino, é o quarto diretor-geral da Polícia Federal na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Ele entra no lugar de Rolando de Souza, que havia sido escolhido por Alexandre Ramagem, diretor-geral da Abin.

Maiurino já foi chefe da segurança do STF (Supremo Tribunal Federal) na presidência do ministro Dias Toffoli, de quem é próximo, e atualmente é assessor especial de segurança do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins — que preside o Conselho da Justiça Federal.

O delegado cuidou de inquéritos no caso do mensalão e também atuou na fronteira no Rio Grande do Sul com o Uruguai.

"É um delegado experiente e viveu a atividade-fim da polícia", afirmou a presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Tânia Fernanda Prado.

Ele atuou na área de segurança para governos de diferentes partidos políticos, como PT e PSDB. No governo de Jair Bolsonaro, é considerado indicação pessoal do ministro Anderson Torres, que, como ele, fez parte da carreira fora da polícia.

No governo de Wilson Witzel (PSC), foi membro do Conselho de Segurança Pública do Rio de Janeiro. No governo de Geraldo Alckmin (PSDB), foi subsecretário de Segurança Pública. Também foi assessor especial da Secretaria de Segurança do Distrito Federal na gestão de Agnelo Queiroz (PT).

Maiurino desempenhou ainda a função de corregedor do Ministério da Justiça nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT — e foi chefe do escritório da Interpol no Brasil.

Na gestão Bolsonaro, PF intensifica trocas

A gestão Bolsonaro intensificou trocas no comando da Polícia Federal, que começaram em 2017. No governo Dilma Rousseff, Leandro Daiello dirigiu a corporação a partir de 2011 e ficou no cargo no governo de Michel Temer (MDB). Só saiu em novembro de 2017, seis anos depois.

Fernando Segovia assumiu e ficou quatro meses no cargo. Rogério Galloro ficou cerca de nove meses, deixando o posto ao final da gestão Temer.

Com Bolsonaro, Maurício Valeixo ficou no comando da PF enquanto o ministro Sergio Moro esteve à frente da pasta, por 15 meses. Rolando Souza assumiu por 12 meses em meio a uma crise do Supremo Tribunal Federal com o presidente e o delegado Alexandre Ramagem.

O próprio Ramagem foi nomeado em 27 de abril de 2020, mas sua posse foi suspensa pelo STF dois dias depois. Em 29 de abril, o presidente foi obrigado a cancelar a nomeação. Ramagem acabou nao assumindo o cargo formalmente.

Agora, Paulo Maiurino assume o posto. O mandato de Bolsonaro dura mais 20 meses.

Ramagem estava em encontro com Torres

Em maio do ano passado, o presidente Bolsonaro nomeou Rolando Souza para o cargo de diretor-geral da PF por ele ser considerado "braço direito" de Ramagem.

Ramagem, amigo da família de Bolsonaro, havia sido oficialmente indicado para o cargo antes de Rolando de Souza para substituir Maurício Valeixo, aliado de Sergio Moro.

Nos bastidores, o presidente continuava dizendo que seu desejo era poder ter Ramagem no comando da PF.

Na semana passada, quando Torres foi convidado por Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, Ramagem participou da reunião.

Ainda não se sabe o destino de Rolando Alexandre. Ele poderia voltar para a Abin, onde trabalhava com Ramagem. Outra possibilidade é ir ao exterior. Os postos em Londres, na Inglaterra, e em Roma, na Itália, devem abrir vaga em breve.

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