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1 mês

Presidente da CPI indica Renan como relator sob críticas de governistas

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

27/04/2021 12h44Atualizada em 27/04/2021 14h55

Em acordo com a maioria dos membros da CPI da Covid no Senado e apesar de críticas de governistas, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Omar Aziz (PSD-AM), indicou hoje Renan Calheiros (MDB-AL) como relator do colegiado. A indicação veio após a eleição de Aziz como presidente e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) como vice-presidente da CPI.

A atitude seguiu um acordo preestabelecido pela maioria dos titulares da CPI, formada por senadores independentes e de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Antes mesmo de a escolha ser anunciada oficialmente, Renan já ocupava uma cadeira na mesa destinada à direção da CPI, com direito a um cafezinho.

Senadores governistas questionaram a escolha de Renan como relator ao longo de toda a sessão de hoje por acreditarem que ele será parcial na elaboração de seu parecer, especialmente por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Omar Aziz perguntou a Marcos Rogério (DEM-RO), um dos vice-líderes do governo no Congresso, "qual o medo da CPI".

"É o medo da CPI ou o medo do senador Renan? Me diga você. É medo da CPI ou medo do senador Renan", continuou Aziz, enquanto Renan prosseguia no seu cafezinho na cadeira ao lado.

Aventado como possível relator da CPI pelo candidato derrotado à presidência da comissão, Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério negou qualquer receio, mas criticou de novo a escolha de Aziz.

Aziz é tido como um senador independente ao governo. Em fala após ser eleito pela maioria dos titulares da CPI, ele afirmou que trabalhará com isenção.

Apesar de o Planalto nutrir mais simpatia pela candidatura de Girão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do centrão, hoje base aliada do governo no Congresso, confirmou que votou em Aziz, conforme havia prometido ao colega. Ele ainda disse não ver problema de Renan assumir a relatoria da CPI, já que não há mais impedimento judicial para tanto.

Escolha conturbada

Ao se defender, Renan Calheiros, alegou que o estado de Alagoas não está sob investigação que envolva a pandemia, tem dinheiro em caixa para investimentos e não sofre com superlotação em hospitais.

O nome de Renan como relator também desagrada ao Planalto por ter atirado contra o governo nos últimos meses e não descartar se alinhar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

Liminar da Justiça ontem barrou que a escolha de Renan como relator, atendendo a um pedido da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), da base bolsonarista na Câmara, mas nova decisão de hoje pela manhã já a revogou. De qualquer maneira, a maioria dos senadores da CPI pretendia ignorar a primeira decisão judicial que barrava Renan na função.

Como relator, Renan será o responsável por elaborar um parecer da CPI, a ser avaliado também pelos pares. A comissão pode compartilhar suas conclusões — pela mudança da legislação sobre o assunto pertinente, por exemplo — inclusive com o Ministério Público, para a responsabilização civil e criminal dos eventuais infratores.

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