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Omar Aziz: 'virou mania ex-ministro falar mal do governo'

Omar Aziz evitou dizer o que espera ouvir dos ex-membros do governo federal - Reprodução/TV Cultura
Omar Aziz evitou dizer o que espera ouvir dos ex-membros do governo federal Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

03/05/2021 22h57

O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), falou hoje em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre suas expectativas para os depoimentos de ex-membros do governo Bolsonaro na comissão. Segundo ele, "virou mania" falar mal do governo.

"O Fábio Wajngarten quando saiu, saiu falando mal do ministro [da Saúde, Eduardo Pazuello]. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também está falando mal do governo. Parece que o governo só presta quando estão no cargo, depois começam a ver defeito", afirmou.

"Ou o cara fica enfeitiçado quando entra no governo, pelo cargo que está exercendo, que é muito perigoso para o Brasil, ou realmente tem muita coisa errada, porque nunca vi tanto ex-ministro sair de um governo para falar mal depois que sai", completou o senador.

Aziz também alfinetou o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que é pré-candidato à presidência da República nas eleições de 2022. Segundo ele, enquanto estava no comando do Ministério da Saúde, Mandetta passava tempo demais dando entrevistas. "A gente não conseguia falar com o ministro Mandetta, que ele estava dando uma entrevista, estava na TV 24 horas por dia e acontecendo a pandemia", disse.

Omar Aziz evitou dizer o que espera ouvir dos ex-membros do governo federal e se limitou a dizer que confia que eles falarão a verdade.

A CPI da Covid deve ouvir esta semana os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich — ambos nesta terça-feira (4) — e Eduardo Pazuello, na quarta (5). O atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga, deve ser ouvido na quinta (6).

CPI pode fazer acareações

O senador afirmou ainda que se os membros da CPI acharem necessário, poderão acontecer acareações entre os depoentes. "Até porque não é porque é depoimento de um ex-ministro que tudo que ele falar é verdade. As contradições existirão", explicou.

Aziz mencionou a entrevista recente dada pelo ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social na qual ele afirma que tentou intermediar compra de vacinas Pfizer e na qual ele culpa o ex-ministro Pazuello pelos problemas na negociação. Para ele, que afirmou que não sabia que Wajngarten tinha tido esta atuação, isso é um exemplo de informação que precisa ser verificada.

"Qualquer coisa que esteja relacionada a gestão, comportamento, obediência cega sem comprovação científica, nós iremos investigar. Vocês vão notar um comportamento de investigação muito ágil", afirmou.-

Criada no Senado após determinação do Supremo, a comissão formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição) investigará ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.