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Não tenho nem por que responder sobre isenção para CPI, diz Renan Calheiros

Rafael Bragança, Wanderley Preite Sobrinho e Letícia Lázaro

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL

03/05/2021 13h32Atualizada em 03/05/2021 15h36

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, disse hoje que não vê motivos para ter que defender sua isenção na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada no Senado com o objetivo de apurar a atuação do governo federal na condução da pandemia de covid-19. Renan negou que o fato de ser pai de Renan Filho (MDB), governador de Alagoas, o torne parcial para investigar também as ações de governadores e prefeitos.

Em entrevista dada ao UOL, conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral e pelo colunista Tales Faria, Renan disse que não tem por que se justificar de cobranças do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), membro da CPI.

"Eu não tenho nem por que responder mais esse tipo de indagação, sobretudo vinda do senador Eduardo Girão. Não há nenhuma investigação contra o estado de Alagoas, o estado é o estado exemplar em suas contas públicas, é o estado mais transparente do Brasil", disse Renan.

"Eles tentaram fazer disso uma batalha política, e também uma tentativa para transformar a CPI em biombo, ao invés de fazer sua parte, cumprir seu papel, investigar estados e municípios por que dessa forma você estará isentando o presidente da República", acrescentou o senador.

Não quero fama com a CPI
Renan Calheiros, senador e relator da CPI da Covid

Polêmica na relatoria da CPI

Crítico das medidas adotadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a pandemia, Renan foi escolhido após acordo entre sete dos 11 membros da CPI considerados independentes ou de oposição ao governo.

O ex-presidente do Senado quase foi impedido de assumir o posto depois que a Justiça Federal do Distrito Federal concedeu à deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) uma decisão liminar. Zambelli defende que o relator é pai de Renan Filho (MDB), governador de Alagoas, e por isso seria parcial nas investigações, cujo alvo inclui repasses federais a estados e municípios.

A decisão, porém, acabou caindo no último dia 27 por decisão do próprio presidente em exercício do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), Francisco de Assis Betti, ao alegar que a escolha do relator é direito do presidente da Comissão, no caso o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Renan assumiu o posto defendendo que os responsáveis pelo agravamento da pandemia sejam punidos "exemplarmente". Um dos alvos da comissão é o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que deverá depor na CPI na próxima quarta-feira (5).

Os outros dois ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, e o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga, também serão ouvidos. Mandetta e Teich falarão à comissão amanhã (4); já Queiroga dará seu depoimento na quinta (6).

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria era independente ou de oposição), investigou ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Teve duração de seis meses. Seu relatório final foi enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.