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Conteúdo publicado há
1 mês

CEO da Pfizer diz que Carlos Bolsonaro participou de reunião com Wajngarten

Rayanne Albuquerque, Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral*

Do UOL em São Paulo e em Brasília

13/05/2021 13h34Atualizada em 13/05/2021 16h45

O CEO da Pfizer, Carlos Murillo, declarou à CPI da Covid que o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos) participou de uma reunião da farmacêutica no Palácio do Planalto, ao lado de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Após aproximadamente uma hora de reunião, Fabio Wajngarten recebe uma ligação, sai da sala e retorna para a reunião. Minutos depois, entra na sala de reunião Filipe Garcia Martins, assessor internacional da Presidência da República, e Carlos Bolsonaro. Fabio explicou a Filipe Garcia Martins e a Carlos Bolsonaro os esclarecimentos prestados pela Pfizer até então na reunião
Carlos Murillo, CEO da Pfizer

Murillo disse que Carlos Bolsonaro ficou "brevemente" na reunião e saiu da sala, enquanto Filipe Martins permaneceu até o final. O encontro, segundo o CEO da Pfizer, foi encerrado logo depois. Na sequência, os representantes da farmacêutica teriam ido embora do Palácio do Planalto.

A reunião citada durante a oitiva no Senado é a mesma citada durante o depoimento de Wajngarten, que ocorreu em novembro do ano passado. Ontem, Wajngarten defendeu na CPI contar nos dedos as conversas mantidas com Carlos Bolsonaro.

Carlos Murillo também confirmou que uma carta foi enviada pela farmacêutica ao governo federal em 12 de setembro, assinada pelo CEO global. O documento foi direcionado ao presidente Jair Bolsonaro, ao vice Hamilton Mourão e a três ministros, e ficou sem resposta por dois meses.

O CEO da Pfizer informou que o governo brasileiro ignorou três ofertas para aquisição de vacinas em agosto do ano passado, três meses depois que as negociações começaram (em maio).

Se um dos acordos tivesse sido fechado, segundo estimativa do executivo, o país teria recebido até o segundo trimestre de 2021 cerca de 18,5 milhões de doses — até agora o Brasil recebeu 2,2 milhões de doses do imunizante. As primeiras remessas teriam chegado em dezembro do ano passado, de acordo com o cronograma inicial.

A Pfizer ofereceu a possibilidade de aquisição imediata de 70 milhões de unidades da vacina, com entrega agendada a partir do mês de dezembro de 2020. No entanto, o Ministério da Saúde, comandado àquela altura, pelo general Eduardo Pazuello, impôs uma série de exigências.

Aos senadores hoje, Carlos Murillo negou que tenha ocorrido cláusulas leoninas no acordo com o Brasil para a aquisição de imunizantes contra a covid-19. Na perspectiva do líder da farmacêutica, algumas exigências, como prédios estatais e bases militares, foram enviadas a todos os países e não apenas ao governo federal.

As negociações não prosseguiram com celeridade, se arrastando até o mês de março deste ano.

Sem contato com ministros

Ao ser questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre conversas com ministros brasileiros, Carlos Murillo disse não terem acontecido de maio a novembro de 2020.

"Não tivemos conversação com os ministros nesse período", afirmou.

Inicialmente, as conversas ocorreram somente com equipes técnicas, relatou.

"Eu só conversei com o ministro da Saúde no mês de novembro e mais uma na segunda ocasião, em dezembro. Com o ministro Guedes conversei na ocasião dessa ligação, e tive uma conversação posterior, no mês de em fevereiro", disse.

A senadora disse ficar "realmente impressionada com a informação que estamos recebendo aqui".

* Com Ana Carla Bermúdez, colaboração para o UOL.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.