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Lira defende Bolsonaro e diz que crítica por orçamento é 'chantagem barata'

Arthur Lira (PP-AL) fez discurso dizendo que não existe "orçamento paralelo" na Câmara - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Arthur Lira (PP-AL) fez discurso dizendo que não existe 'orçamento paralelo' na Câmara Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 13h12Atualizada em 17/05/2021 09h39

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), fez um discurso hoje em evento em Maceió (AL) defendendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela repercussão da notícia sobre um 'orçamento paralelo' no governo para contemplar a base parlamentar no Congresso Nacional.

Dizendo que se pronunciava como 'deputado federal da bancada de Alagoas', e não como representante máximo da Câmara, Lira ainda falou que a Casa "não se curvará" ao que chamou de chantagem barata.

"Nosso papel é trabalhar para fazer leis justas e melhorar a vida da população, com emendas parlamentares não secretas, nem paralelas. Públicas e honestas", disse, antes de dizer que "nunca existiu" a troca de votos por emendas parlamentares.

Se tiver desvio, que pague quem tiver responsabilidade. Mas a Câmara não se curvará a essa chantagem barata de querer dizer que o Bolsonaro troca votos por emendas parlamentares. Isso nunca existiu. Temos uma base que entende o que o Brasil precisa.
Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados

Tanto Bolsonaro como aliados negam que exista o chamado orçamento paralelo, como mostrou o UOL em uma reportagem em abril sobre a compra de 6.240 máquinas pesadas, como retroescavadeiras, para contemplar o Centrão.

A reação de Lira vem na esteira da repercussão de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo no último fim de semana sobre o assunto. O Ministério Público pediu ao TCU (Tribunal de Contas da União) que investigue se o orçamento paralelo pode configurar crime de responsabilidade.

Lita ainda defendeu que cada parlamentar se empenhe em destinar recursos para seu estado. Ele disse que os críticos "não querem enxergar a realidade que o dinheiro não é do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário, mas do povo, do orçamento público".

"Nós estamos para isso. Para brigar numa selva de 513 na Câmara e 81 no Senado para cada um puxar um pedacinho para seu estado, para modificar a vida das pessoas Se não estivermos com esse propósito, que é o propósito do presidente da República ou de qualquer deputado ou senador, não existe razão de ter mandato, reconhecimento popular ou colocar o nome para julgamento", disse.

Troca de elogios

O discurso de Arthur Lira, durante entrega de 500 unidades habitacionais em Maceió (AL), ocorreu na presença de Jair Bolsonaro (sem partido), que também adotou um tom de elogios ao presidente da Câmara. Ele chegou a falar, em tom de exagero, que o Legislativo e o Executivo são um mesmo poder para ilustrar a quanto, em sua visão, um depende do outro.

"Hoje você está na Câmara pela graça de Deus. Você tem sido excepcional naquilo que o Executivo te pede. E digo mais: Executivo e Legislativo não são dois poderes não, um poder só, porque um depende do outro, um nasceu para o outro e graças a Deus o Brasil tem hoje Arthur Lira na presidência daquela casa", disse Bolsonaro.

Antes, Arthur Lira disse que a Câmara é "independente, mas harmoniza com as matérias que interessam o povo". Ele citou especificamente a instalação de uma comissão para analisar e PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a impressão de cédulas de papel após votos depositados na urna eletrônica, tema de cobrança pela base bolsonarista, e a aprovação do texto-base de um projeto de lei para flexibilizar regras de licença ambiental.

Bolsonaro defendeu abertamente a eleição de Arthur Lira para a Câmara no começo do ano. A boa relação demonstrada em Maceió ocorre em um momento de pressão para o presidente com o trabalho da CPI da Covid no Senado.

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