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Política

Schelp: Senadores governistas se mostram constrangidos em defender governo

Colaboração para o UOL

15/05/2021 04h00

Para o colunista do UOL Diogo Schelp, até mesmo senadores governistas têm se mostrado "constrangidos" em defender o governo Jair Bolsonaro (sem partido) na CPI da Covid.

Na avaliação dele, isso ficou claro com a atitude do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, que, apesar de não ser membro da comissão, compareceu a uma sessão para ofender o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), xingando-o de vagabundo.

"A gente vê a atuação dos senadores governistas na CPI e, com o passar dos dias, a impressão que dá é que eles ficam até constrangidos em defender o governo. E aí precisa ir o filho do presidente lá, botar o dedo na cara do colega e chamar de vagabundo", disse o colunista durante o episódio desta semana do Baixo Clero, o podcast de política do UOL (veja a partir de 40:21).

Para Schelp, ao protagonizar a cena, Flávio fez um papel "sujo" e que "outros senadores governistas da CPI não aceitam fazer ou não fazem" (veja a partir de 41:22).

O colunista também avaliou que uma eventual quebra de sigilo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) será mais importante do que um depoimento dele à CPI da Covid.

"Talvez mais importante que um depoimento do Carlos, que vai ser de circo, vai ser uma quebra de sigilo para entender qual é o papel dele, de fato, nesse governo", declarou (veja a partir de 16:45). Nesta semana, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, confirmou que Carlos esteve presente em uma reunião realizada no Palácio do Planalto com representantes da farmacêutica para tratar da compra de vacinas.

Saldo positivo e depoimento de Pazuello

Para a colunista do UOL Maria Carolina Trevisan, o saldo de mais esta semana de CPI foi positivo. Além do depoimento de Murillo, também foi ouvido o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, que confirmou a existência de uma carta da Pfizer que ficou por dois meses sem resposta do governo federal.

"Acho que terminamos a semana com saldo positivo da CPI, no sentido de que não dá para fechar os olhos e fingir ou manipular narrativas como a gente vem fazendo até agora", avaliou (veja a partir de 19:15).

Entre os depoimentos previstos para a próxima semana, está o do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. A AGU (Advocacia-Geral da União) apresentou um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para que ele possa ficar em silêncio em seu depoimento à CPI e o recurso foi aceito.

"A jurisprudência do Supremo confirma o direito a ficar em silêncio, tanto de testemunhas como os investigados", afirmou Trevisan. "Seria melhor escutá-lo para entender como aconteceram as coisas, mas no caso dele é fácil investigar se aconteceram negligências: chamando um assessor próximo, por exemplo" (veja a partir de 21:20).

Para Schelp, a imagem de Pazuello se recusando a responder perguntas na CPI será péssima para ele, para o governo e para o Exército, já que o ex-ministro é também general. "É quase como uma confissão de culpa", avaliou (veja a partir de 22:57).

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube —neste último, também em vídeo.

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