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Aziz diz que Pazuello será reconvocado: 'Sem habeas corpus, será diferente'

Luciana Amaral

Do UOL em Brasília

25/05/2021 20h42Atualizada em 25/05/2021 23h03

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou hoje que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello serão chamados novamente para prestar explicações ao colegiado — os requerimentos para a reconvocação de ambos devem ser votados amanhã.

Segundo Aziz, as "mentiras" que "estão aparecendo" após o primeiro depoimento de Pazuello, na semana passada, e o recente comportamento do general, que acompanhou, sem máscara, o presidente Jair Bolsonaro em uma manifestação no último domingo, desmoralizaram a CPI.

"As mentiras estão aparecendo. Não sou eu quem estou dizendo. São contradições. Agora, se o ministro vier para cá sem nenhum habeas corpus que protege, não tenha dúvida de que não será da mesma forma como foi a última vez. Não seremos desmoralizados. Estão tentando", disse Aziz.

Na CPI, na semana passada, Pazuello pediu desculpas por não ter usado máscara ao entrar em um shopping de Manaus. A presença em um palanque com Bolsonaro irritou senadores.

"Não vi ninguém vendendo máscara em cima daquele palanque no domingo. Ele estava sem máscara. Não sou eu que estou dizendo. São as imagens que são mais fortes que mostram", disse Omar.

Contradições

Para parte dos membros da CPI, os depoimentos de Queiroga e Pazuello não foram suficientes para sanar todas as dúvidas quanto a ações e eventuais omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Outro ponto levantado por senadores independentes e oposicionistas é que houve contradições em depoimentos de demais autoridades que precisam ser elucidadas. Por exemplo, quanto aos alertas de que o Amazonas estava na iminência de sofrer uma falta de oxigênio hospitalar na crise aguda vivida pelo estado em janeiro deste ano.

"Hoje a doutora Mayra [Pinheiro] disse algumas coisas que o ministro tinha dito outra aqui", afirmou o presidente da CPI.

Em depoimento hoje, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, a médica Mayra Pinheiro, contradisse Pazuello ao afirmar que o ministério soube sobre a falta de oxigênio em Manaus em 8 de janeiro deste ano. Pazuello disse à CPI que foi alertado sobre a situação apenas na noite de 10 de janeiro.

Hoje a secretária fez uma alegação falsa à CPI ao afirmar que o Ministério da Saúde "nunca indicou" tratamento precoce para a covid-19. Há registros claros de recomendação, por parte da pasta, de medicamentos sem eficácia comprovada para a doença. Mayra Pinheiro também omitiu o histórico do governo em defesa destas substâncias.

Pazuello não deve ser ouvido novamente pela CPI antes de 17 de junho, porque, em princípio, até a data, a agenda de depoimentos e atividades do colegiado já está ocupada.

Para Aziz, o fato de a CPI não ter prendido o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten, apesar da pressão de senadores, fortaleceu e consolidou o colegiado para os próximos passos. "Se eu tivesse apreendido o Wajngarten naquele dia, não teríamos mais CPI. Não era momento. Agora CPI está consolidada", afirmou o senador.

No início desta noite, Omar Aziz se reuniu com integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito, no Senado, para definir a agenda de amanhã, que deve incluir a convocação de governadores, ex-governadores, prefeitos e ex-prefeitos.

Omar Aziz disse ainda que a CPI vai convocar o segundo escalão do Ministério da Saúde, como o ex-número 2 do general Pazuello, Élcio Franco. Seu depoimento estava previsto para acontecer na quinta (27), mas o ex-secretário encaminhou um comunicado aos parlamentares informando que ainda se recupera depois de ter contraído a covid-19.

"Além do doutor Élcio [Franco], tem outras pessoas também. O Arthur [Weintraub] que apareceu num vídeo, num site", disse Aziz.

Número 2 de Pazuello e outros convocados

Franco, que é coronel, foi exonerado do Ministério da Saúde no final de março, quando o ministro Marcelo Queiroga assumiu a pasta. Ele foi o número dois do ministério a partir de julho de 2020, quando Pazuello passou a comandar o órgão.

Franco esteve à frente de algumas das principais ações do ministério no combate à pandemia, incluindo as negociações para a compra de vacinas. Ele aparecia com frequência nas coletivas de imprensa organizadas pelo ministério para tratar da covid-19.

Na mira da CPI também está o Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. Ele é apontado como suposto participante do chamado "gabinete paralelo" que teria orientado Bolsonaro durante a pandemia.

O próximo depoimento à CPI será o do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e está marcado para quinta, no lugar de Élcio Franco. O Butantan é o responsável no país pela produção da vacina de origem chinesa CoronaVac contra a covid-19, encampada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário político do presidente Bolsonaro.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.