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"Estou sendo colocada em xeque por minhas condutas médicas", diz Nise

01.jun.2021 - Médica Nise Yamaguchi durante depoimento na CPI da Covid, no Senado Federal, em Brasília (DF) - Adriano Machado/Reuters
01.jun.2021 - Médica Nise Yamaguchi durante depoimento na CPI da Covid, no Senado Federal, em Brasília (DF) Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

01/06/2021 17h48

A médica Nise Yamaguchi, uma das principais defensoras da cloroquina e da sua derivada, a hidroxicloroquina, no tratamento contra a covid-19, se queixou a senadores por estarem colocando em dúvida suas condutas médicas, durante depoimento à CPI da Covid, no Senado, na tarde de hoje.

A reação da profissional ocorreu após intervenção do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que disse ter recebido nota da SBR (Sociedade Brasileira de Reumatologia) explicando não haver contraindicação para vacinas contra a covid-19 devido a doenças endêmicas e infecciosas. Mais cedo, Nise afirmou aos parlamentares que não tomou o imunizante por ter doença autoimune —no seu caso, seria vasculite.

"Senador, nós tivemos agora vários casos de trombose e vasculites com o uso de vacinas. Tanto é que houve uma suspensão de vacinas lá na Europa, países não estão fazendo. Existe sim uma questão bastante seria com relação a posicionamento generalizado", disse ela.

"O que estão dizendo aqui é que eu não posso prescrever ou que tenho prescrito. Que eu tenho que tomar vacina quando tenho vasculite. Eu estou aqui sendo colocada em xeque com relação às minhas condutas médicas. Eu estou sendo questionada", protestou, visivelmente irritada.

A médica foi convidada para depor à comissão depois de seu nome ter sido citado pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, em seu depoimento aos senadores.

Nise Yamaguchi, de 62 anos, é uma das principais defensoras da hidroxicloroquina, mesmo que pesquisas já tenham demonstrado que essas substâncias, usadas normalmente contra lúpus, malária e artrite reumatoide, não funcionam contra para a covid-19. Em alguns casos, elas podem fazer mal à saúde.

A médica discorda disso. Afirma que já tratou muitos pacientes com esses remédios e diz que as pesquisas que apontam sua ineficácia estão erradas.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.