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Conteúdo publicado há
7 meses

Nise diz a CPI que atraso do tratamento precoce aumentou número de mortes

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

01/06/2021 11h47Atualizada em 01/06/2021 13h58

Nise Yamaguchi, imunologista que defende o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada para combater o coronavírus, declarou à CPI da Covid que o atraso do uso de medicamentos do "kit covid" é o responsável pelo aumento de mortes pela doença. A médica é aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sugere o uso de medicações como a cloroquina.

Eu considero que o atraso que existe no início do tratamento [precoce] é o que tem determinado tantos mortos e tantas questões nesse momento, não só isso, como nesse momento a gente tem também um problema de diagnóstico. Nós somos um país que tem vacinado bastante, mas não sei se o conjunto de ações vai ser alguma coisa."
Nise Yamaguchi

Yamaguchi foi convocada a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito após seu nome ter sido citado pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres durante seu depoimento ao colegiado.

Segundo a versão apresentada por Barra Torres, a médica integrou uma reunião que discutiu a alteração da bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado aos pacientes diagnosticados com covid-19. O medicamento, amplamente recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não tem eficácia comprovada para combater ou prevenir os sintomas do coronavírus.

A mesma reunião foi citada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que confirmou ter participado do encontro. Mandetta chegou a citar que um papel não timbrado propunha a mudança da bula da cloroquina e que havia um gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Bolsonaro sobre como as medidas de enfrentamento à pandemia deveriam ser conduzidas.

O colegiado da CPI tenta compreender se a tese da imunidade de rebanho — que prevê a contaminação em massa em busca de uma suposta imunidade coletiva — teria sido a estratégia adotada pela gestão federal ao invés de apostar na compra de vacinas.

* Colaborou Ana Carla Bermúdez

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.