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Política

Investigado em rachadinha é braço do 'gabinete do ódio' na equipe de Flávio

Juliana Dal Piva e Igor Mello

Colunista do UOL e do UOL, no Rio

08/06/2021 14h50

A Polícia Federal identificou seis contas ocultas em redes sociais que eram operadas por Fernando Nascimento Pessoa, assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Pessoa é assessor do filho mais velho do presidente desde maio 2014 e é investigado no caso da rachadinha no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

No relatório, a Polícia Federal descreveu que existem três grupos que atuam em coordenação em Brasília, Rio de Janeiro e São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Para os investigadores, "além das contas do grupo Brasília identificadas no relatório da Atlantic Council, após a análise das respostas das operadoras, foi possível identificar os proprietários" de seis contas que não tinham sido identificadas até então.

O relatório da Atlantic Council —empresa especializada em análises independentes sobre comportamentos inautênticos coordenados por meio das redes sociais— foi divulgado no ano passado e apontou contas inautênticas usadas por Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Agora a investigação da PF verificou que ele chegou a acessar essas contas a partir da casa do presidente na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, e até no Palácio do Planalto.

No entanto, na época, não foram identificadas todas as contas usadas por Pessoa. A PF apontou agora que as seguintes contas são "vinculadas" a Fernando Nascimento Pessoa: "SnapNaro", "DiDireita", "Trump We Trust", "Tudo é Bolsonaro", "Porque o Bolsonaro?", "Snapressoras".

O UOL procurou a assessoria do senador, mas não obteve retorno até o momento.

Essas contas têm o mesmo perfil das mantidas pelo chamado "gabinete do ódio" —em comum, além do perfil, está o envolvimento de assessores do clã Bolsonaro.

"Gabinete do ódio" é o nome dado a um grupo de assessores que atuam no Palácio do Planalto com foco nas redes sociais, inclusive na gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro que difundem desinformação e atacam adversários políticos do presidente.

Segundo a PF, não constam nos "dados cadastrais das contas em questão qualquer informação útil na identificação de seus proprietários, possivelmente na tentativa de ocultar a identidade de quem as utiliza". A PF avaliou ainda que, "preliminarmente, pode ser um indício de comportamento inautêntico coordenado, relacionando os Grupos de Brasília e Rio de Janeiro".

As contas foram derrubadas pelo Facebook, mas o UOL recuperou posts a partir de replicações feitas por seguidores das páginas.

Em um deles, na eleição de 2018, Pessoa ironizou a situação sobre a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um debate. Em uma imagem divulgada pelo perfil, Bolsonaro dá um golpe de "gravata" no petista. O UOL também identificou postagens do perfil nos ataques sofridos pela jornalista Constança Rezende em fevereiro de 2019, quando um erro de tradução a difamou.

5 anos no gabinete de Jair Bolsonaro

O primeiro gabinete da família Bolsonaro no qual Pessoa constou como assessor foi o do então deputado federal Jair Bolsonaro, em maio de 2009, aos 24 anos. Ele ficou no cargo até maio de 2014. Depois, foi nomeado no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio e continua assessorando o senador desde o Rio de Janeiro.

Mesmo quando era funcionário na Câmara dos Deputados, Pessoa atuava quase exclusivamente na divulgação do trabalho de Flávio Bolsonaro na internet. Foram mais de 300 tuítes sobre o então deputado estadual e poucos sobre o, agora, presidente Jair Bolsonaro.

Em março, o UOL revelou que, no período em que ele estava lotado no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara, Pessoa recebeu R$ 164 mil. Sacou ao menos R$ 126 mil, cerca de 77% do salário. Em alguns meses, Pessoa sacou 100% do que recebeu. O alto volume de saques permaneceu no período da nomeação com Flávio.

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