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Na CPI, especialistas comparam cloroquina à 'pílula do câncer'

Do UOL, em São Paulo

11/06/2021 11h59Atualizada em 11/06/2021 15h00

A microbiologista Natalia Pasternak e o médico sanitarista Claudio Maierovitch compararam hoje a cloroquina, medicamento defendido pelo governo federal para tratamento da covid, com a chamada pílula do câncer, sem eficácia contra a doença.

As declarações foram dadas na CPI da Covid. O médico e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Maierovitch, relembrou que houve um clamor popular para uso do medicamento e um projeto de lei, do então deputado Jair Bolsonaro (sem partido), foi aprovado para obrigar o governo a fornecer a fosfoetanolamina sintética, ou pílula do câncer.

"Vivemos no Brasil há poucos anos uma memória triste. Foi crescendo um clamor difuso na sociedade nessa fase que vivemos com grande circulação de informações e fake news, inclusive nas redes sociais, e acabou sendo aprovado um projeto de lei do então deputado Jair Bolsonaro", afirmou.

"A fosfoetanolamina para câncer não era sequer um medicamento, era uma substância produzida em laboratório da USP São Carlos. Depois, se provou não ser um medicamento e a lei foi derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que achou que não cabia lei para medicamento sem comprovação científica de sua utilidade".

Natalia diz que a fosfoetanolamina gerou custo de R$ 10 milhões aos cofres públicos de São Paulo para que fosse testada devidamente em testes clínicos controlados.

Parece que não aprendemos a lição, estamos repetindo a história anos depois com esses medicamentos sem comprovação científica."
Natalia Pasternak na CPI da Covid

"Estamos gastando dinheiro público promovendo e enviado aos municípios medicamentos que comprovadamente não funcionam e não tem direcionamento para essa doença [covid-19]. É um grande desperdício para os cofres públicos", criticou ela.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.