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1 mês

Senador diz que Lula tomou cloroquina em Cuba; assessoria do petista nega

10.mar.2021 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
10.mar.2021 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Imagem: Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral e Gilvan Marques

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

18/06/2021 18h01

Durante sessão da CPI da Covid, realizada nesta sexta-feira (18), o senador Roberto Rocha (PSDB-MA) afirmou, sem provas, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou cloroquina em seu tratamento contra a covid-19. A assessoria do petista nega.

Segundo o parlamentar, Lula teria usado o medicamento —considerado ineficaz contra a doença— em Cuba, um dos países que mantêm protocolo para o seu uso. O petista foi diagnosticado com covid-19 em janeiro e passou pelo processo de quarentena em Cuba, onde estava desde dezembro para participar de gravações de um documentário sobre América Latina.

"O Bolsonaro, presidente da República... ele pegou covid, tomou cloroquina e está bem, graças a Deus. Do outro lado está o presidente Lula: pegou covid? Pegou covid. Tratou onde? Tratou em Cuba. Em Cuba tem no protocolo oficial a cloroquina? Tem. Cuba, China e mais 27 países", afirmou Rocha.

"A questão é: o ex-presidente Lula que está aí (muito bem, graças a Deus!), com saúde tanto quanto o Bolsonaro e também tomou cloroquina. Essa é a questão: é evidente que tomou. Por quê? Por que não posso acreditar que o ex-presidente Lula, com o respeito que tem a Cuba, ele iria lá descumprir um protocolo oficial e ele próprio se automedicar?!", questionou o parlamentar, em seguida, mas sem apresentar provas concretas do que dizia.

Em nota enviada ao UOL, a assessoria de Lula rebateu a fala do senador tucano, e disse que ele tomou corticoide e anticoagulantes em seu processo de recuperação.

Os que apresentaram algum tipo de problema pulmonar, como Lula, tomaram corticoide e anticoagulantes. Os médicos cubanos receitaram também o imunomodulador Jusvinza a Lula. A droga age sobre substâncias inflamatórias da covid-19. Seu efeito no combate às reações da doença já entrou no protocolo de estudo de Cuba, que foi seguida por outros países, e deve ser usado com acompanhamento médico rígido, trecho de comunicado enviado ao UOL

"As pessoas que acompanhavam Lula e que não tiveram lesão pulmonar ativa usaram Interferon cubano, na versão injetável ou nasal. O medicamento também está em protocolo de estudo", conclui.

A assessoria do petista também afirmou que a cloroquina não está no protocolo de tratamento para covid em Cuba —o que é mentira.

No início de junho, o UOL Confereplataforma de checagens do UOLconfirmou a informação lançada nas redes sociais inicialmente sobre uso de cloroquina em protocolo oficial de Cuba. China e Venezuela também utilizam o medicamento em procedimentos oficiais.

No entanto, no discurso popular, é comum que a hidroxicloroquina seja associada à cloroquina como se fosse o mesmo medicamento. Embora ambos os remédios tenham a mesma substância em sua base —a cloroquina—, seus usos e efeitos são distintos. A hidroxicloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a covid-19, costuma ter menos efeitos colaterais e é considerada uma droga mais segura para outros tratamentos. Ainda assim, a verificação do UOL Confere observou que, em alguns casos, as autoridades locais adotam o uso de ambos os medicamentos.

O ex-presidente Lula foi imunizado recentemente: ele recebeu a segunda dose de vacina contra covid-19 em abril, em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, o petista aconselhou o governo federal a "ouvir a ciência" no combate à pandemia do coronavírus.

Sem comprovação científica

Não há nenhuma substância que tenha eficácia comprovada para prevenção ou tratamento precoce da covid-19. Há medicamentos que controlam sintomas, como febre. Algumas substâncias vêm sendo usadas em casos de pacientes hospitalizados, como o rendesivir, cujo uso é autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o corticoide dexametasona.

Em outubro, a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou haver evidências conclusivas da ineficácia da hidroxicloroquina para a covid-19. Além disso, desde dezembro, tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina são inclusive contraindicadas pela OMS para pacientes da doença. A maioria dos fabricantes brasileiros de cloroquina não recomenda o remédio para covid-19.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.