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1 mês

Em um ano, Nise Yamaguchi viajou ao menos 13 vezes para Brasília

A médica oncologista Nise Yamaguchi prestou depoimentos no início de junho à CPI da Covid no Senado - Leopoldo Silva/Agência Senado
A médica oncologista Nise Yamaguchi prestou depoimentos no início de junho à CPI da Covid no Senado Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

19/06/2021 09h13Atualizada em 19/06/2021 09h24

A imunologista Nise Yamaguchi viajou ao menos 13 vezes para Brasília entre maio de 2020 e maio de 2021, de acordo com informações da Latam à CPI da Covid, obtidos pela rádio CBN. A médica que defende o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar pacientes com coronavírus é testemunha da Comissão Parlamentar de Inquérito.

O colegiado no Senado quer descobrir se Yamaguchi viajou para a capital do país com recursos próprios ou se foi patrocinada por alguém.

As passagens foram pagas em dinheiro vivo, ato que chamou a atenção dos senadores que integram a CPI da Covid. Essa modalidade de pagamento aconteceu em oito viagens, sendo sete delas intermediadas por agências de turismo e uma paga diretamente à Latam. O valor integral do dinheiro pago pelas passagens pouco mais de R$ 16 mil.

O governo federal pagou uma das viagens realizadas por Nise Yamaguchi. No dia 30 de setembro, a listagem da Latam traz a informação do embarque da médica e, no Portal da Transparência, o Ministério da Saúde pagou R$ 3 mil para que a médica viajasse para gravar um vídeo sobre o tratamento precoce — método sem comprovação científica que utiliza medicamentos como a cloroquina, a azitromicina e a ivermectina.

Os medicamentos de uso amplamente incentivado pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estão entre os focos dos questionamentos do colegiado da CPI aos convocados como testemunhas. Durante seu discurso no colegiado, Yamaguchi também defendeu as medicações e foi contestada por senadores.

Mudança da bula da cloroquina

Nise Yamaguchi negou a existência da ideia em mudar a bula da cloroquina em seu depoimento à CPI da Covid. A versão apresentada pela médica foi diferente da citada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Antonio Barra Torres.

A mudança da bula para que a cloroquina fosse previsa no tratamento contra a covid-19 foi discutida durante uma reunião que ocorreu no Palácio do Planalto, de acordo com o depoimento prestado por Mandetta e Barra Torres à CPI.

Ambos citaram que havia uma minuta de decreto presidencial para que a medida fosse pautada no Planalto.

A médica também negou ter participação no chamado "gabinete paralelo", que aconselhava o governo federal sobre a condução de ações ao enfrentamento da pandemia com diretrizes pautadas na imunidade de rebanho e no uso de medicamentos sem eficácia comprovada, que integram o "tratamento precoce" e o "kit covid".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.