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2022: Bolsonaro tem 'apelo que não pode ser subestimado', diz economista

O economista Eduardo Giannetti  - Zanone Fraissat - Folhapress
O economista Eduardo Giannetti Imagem: Zanone Fraissat - Folhapress

Colaboração para o UOL

21/06/2021 10h36

Com a aproximação das eleições de 2022, pesquisas de preferência têm sido feitas e apontam um segundo turno para presidente entre Lula (PT) e o atual mandante federal Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevista ao Valor Econômico, o economista e autor Eduardo Giannetti falou que o país está em uma "encruzilhada".

"Temos dois candidatos a presidente que dividem o país. Os brasileiros têm sentimentos muito polarizados em relação aos dois", disse Giannetti. O economista acredita que a encruzilhada atual é fruto da eleição de Bolsonaro, que fraturou o país. Ele ainda falou que se a oposição não se organizar, "corremos o risco de ter um bolsonarismo revigorado em 2022".

Giannetti afirmou que vários fatores levaram à vitória de Bolsonaro em 2018, um dos principais sendo a busca da população por um "outsider" na política, já que havia frustração com os partidos mais comuns de direita e esquerda no Brasil. "Bolsonaro se apresentou como 'outsider', mas, no fundo, ele sempre foi o pior 'insider' e acabou se jogando nos braços do Centrão para impedir o impeachment em meados de 2020", avaliou.

Mesmo com a desilusão e perda de apoio de parte significativa de seu eleitorado, o economista disse que o atual presidente não pode ser descartado da corrida do próximo ano.

Há uma frustração, mas o apelo do Bolsonaro, pelo seu populismo de direita, é muito emocional para o brasileiro comum, que está cansado de tudo isso, que está farto de corrupção. Tudo isso tem um apelo que não pode ser subestimado.
Eduardo Giannetti

Giannetti criticou as "mentiras" que foram utilizadas na época das eleições, principalmente, sobre mudanças econômicas. "A inépcia, o oportunismo que prevaleceram nas políticas em relação à saúde, por exemplo, mostraram o obscurantismo e a gravidade e a extensão da irresponsabilidade do governo que o Brasil desafortunadamente escolheu", afirmou.

Atualmente, as pesquisas indicam que o candidato mais provável de derrotar Bolsonaro em um segundo turno é o ex-presidente Lula. O economista avaliou que é pouco provável ter um terceiro candidato que vença dos dois, mas ressaltou: "Vale lembrar um ditado que ouvia sempre na Inglaterra: 'a week is a long time in politics' [uma semana é um longo tempo em política]. Acontecem facadas, prisões, meteoros".

A dificuldade, segundo Giannetti, é encontrar uma pessoa, além de Lula e Bolsonaro, que saiba conversar com a população. "Os outros candidatos quando falam parecem que estão se dirigindo para os Jardins, para o Leblon, para os universitários", apontou.

Um terceiro candidato contra Lula e Bolsonaro tem que ter forte apelo popular, tem que ter acesso ao coração do brasileiro comum. Esse candidato poderia atrair eleitores do Lula e do Bolsonaro, mas o difícil é encontrar uma liderança com o talento, a disposição, a capacidade de enfrentar figuras tão astuciosas e tão capazes de se comunicar, com retórica e carisma.
Eduardo Giannetti

Nas próximas eleições, o economista tem receio de qual será a postura do atual presidente caso perca. "Bolsonaro já indicou que não vai aceitar o resultado da eleição se for derrotado. E temos militantes muito aguerridos dos dois lados. É um quadro muito preocupante", disse.

Para Gianneti, os indícios apontam que há um "projeto autoritário" e, nisso, ele enxerga dois riscos. O primeiro seria um confronto entre os Poderes, "como uma decisão do Supremo [Tribunal Federal] que o presidente, o Executivo não acate", explicou.

O outro caminho com o qual Bolsonaro às vezes flerta é excitar o caos, a anarquia que justifique uma ruptura autoritária para restabelecer a ordem. Se o país entrar em convulsão, ele teria o prato cheio para realizar seu desejo de imposição de ordem policial.
Eduardo Giannetti

Por fim, o economista disse que consegue traçar dois paralelos para a situação na qual o Brasil está se encaminhando. "Um positivo é com os EUA, que se livrou de Donald Trump. Isso é um alento. O paralelo tenebroso é a trajetória que permitiu a vitória de [Adolf] Hitler no país mais educado e culto da Europa, a Alemanha", completou.

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