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1 mês

'Trata-se de uma compra muito suspeita', diz Molon sobre Covaxin

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 12h25Atualizada em 24/06/2021 13h50

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, classificou como "muito suspeita" a compra da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. Em entrevista ao UOL News, Molon disse que conversou com outras lideranças e que decidiu representar o caso ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao MPF (Ministério Público Federal), para que as investigações sejam feitas.

Tudo indica que se trate de um caso grave de corrupção com dinheiro que deveria estar servindo para salvar a vida das pessoas, e não para ser desviado, roubado, por quem quer que seja. Se isso se confirmar — é preciso ainda investigar — é de uma gravidade sem tamanho Alessandro Molon

A compra de 20 milhões de doses da vacina colocou o governo federal em meio a suspeitas de crime na negociação do imunizante. Ontem (23), a polêmica esquentou com a insinuação de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi informado de possíveis irregularidades.

No dia anterior, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ter alertado Bolsonaro e o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da Covaxin.

Em entrevista coletiva ontem, o ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o presidente determinou à Polícia Federal que investigue a declaração de Miranda.

"Trata-se de uma compra muito suspeita, não apenas pelas denúncias graves de pressão para que a compra ocorresse rapidamente, mas por todos os elementos que cercam essa compra", disse Molon, destacando, entre outras questões, o preço do imunizante.

Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Molon também chamou atenção para a rapidez com que as negociações ocorreram. "Em 97 dias o governo encerrou essa negociação de uma vacina que ainda não teve os testes da terceira fase concluídos enquanto que o mesmo governo, o mesmo presidente da República Bolsonaro, atrasou por 10 meses a negociação com a Pfizer que oferecia e oferece uma vacina mais barata, com todos os testes concluídos e com uma tecnologia mais avançada."

O parlamentar disse ainda que propõe a convocação dos ministros da Justiça, Anderson Torres, e da Saúde, Marcelo Queiroga, para prestarem esclarecimentos, e que a coleta de assinaturas para a CPI da Corrupção na saúde está começando.

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