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Hallal: Comemorar 16 mi de curados é como festejar 7 a 1 contra Alemanha

Pedro Hallal em depoimento à CPI da Covid - Jefferson Rudy/Agência Senado
Pedro Hallal em depoimento à CPI da Covid Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 16h57Atualizada em 24/06/2021 17h29

O epidemiologista Pedro Hallal rebateu a comemoração de senadores da CPI da Covid que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre os 16 milhões de recuperados da pandemia. Na visão do cientista, comemorar o número de recuperados é o mesmo que celebrar a goleada da Alemanha sobre o Brasil na copa de 2014.

A afirmação de que o tratamento precoce salvou um número "xis" de vidas é absolutamente equivocada e vou reforçar o que eu disse ao senador Heinze: comemorar 16 milhões de curados é como comemorar o gol do Brasil para a Alemanha, no jogo que foi 7 a 1 para a Alemanha. 16 milhões de curados significa que 16 milhões delas ficaram doentes, então não é motivo para comemoração
Pedro Hallal

Mais cedo, o professor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) afirmou que 400 mil vidas poderiam ter sido poupadas caso o governo federal tivesse comprado vacinas e combatido a covid-19 com medidas não farmacológicas — como distanciamento social, uso de máscaras e lockdown.

O Brasil atingiu um novo recorde de casos ontem. Pela primeira vez desde o início da pandemia, em março de 2020, foram mais de 100 mil casos registrados em um único dia — 114.139, de acordo com dados obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.

O último recorde foi registrado em 18 de junho deste ano, com 98.135 infectados registrados em um intervalo de 24 horas. Diagnósticos positivos confirmados desde o ano passado já totalizam 18.170.778.

A marca de ontem se deve a uma modificação no sistema que unifica as informações do Rio Grande do Norte, que agora passou a considerar números que antes eram retidos no sistema de notificação de casos da covid-19 no estado.

A alteração fez com que fossem somados 36.374 casos, número acima da marca anterior em 24 horas, que era de 8.341 em 15 de fevereiro deste ano.

Problema apontados por cientistas no país, a subnotificação de casos da doença e de mortes está relacionada sobretudo com a baixa testagem de casos e o atraso de registros em algumas regiões.

"Sete pecados capitais""

Pedro Hallal citou "sete pecados capitais" cometidos pela gestão federal no combate à pandemia.

Entre eles citou a falta de comunicação unificada; a promoção de tratamentos ineficazes; a ausência de liderança do Ministério da Saúde e de um comitê de crise; o desestímulo ao uso de máscaras; e o uso de abordagem clínica contra a epidemiológica.

"O Brasil fez promoção de tratamentos ineficazes. E sobre esse tema gostaria desde já de manifestar que muito menos que a discussão se um medicamento em específico funciona ou não é a discussão da sensação de segurança que foi passada para a população brasileira: 'podem pegar o vírus que tem um remédio que vai salvá-los'", detalhou o cientista.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.