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Conteúdo publicado há
1 mês

Hallal diz à CPI que foi censurado em apresentação pelo Ministério da Saúde

Rayanne Albuquerque e Gabriel Toueg

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

24/06/2021 11h53Atualizada em 24/06/2021 13h11

O epidemiologista Pedro Hallal, ex-reitor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), disse que foi censurado durante uma coletiva de imprensa do Ministério da Saúde no Palácio do Planalto sobre os números da pandemia. As declarações foram ditas hoje, durante a participação dele na CPI da Covid.

Em detalhes aos senadores que compõe a Comissão Parlamentar de Inquérito, o cientista declarou que os assessores do Ministério da Saúde retiraram um slide que apresentava um recorte de dados sobre o número de infectados com base em etnias e raça.

Os números mostravam que as populações indígenas tinham, em média, cinco vezes mais risco de se infectar do que os brancos, enquanto os negros tinham o dobro.

Faltando 15 minutos para apresentar, eu fui informado pela assessoria de comunicação que o slide tinha sido retirado da apresentação, em que eu era o apresentador. Pouco tempo depois, o Ministério da Saúde decidiu interromper o monitoramento por meio do Epicovid, sem nenhuma justificativa técnica
Pedro Hallal

Mais tarde, em resposta ao vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Hallal afirmou que o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, tenha decidido pela "censura" às informações.

Então, antes que tenha outra informação, foi dele [Elcio Franco] a decisão de que aquele slide mostrando a desigualdade étnico-racial não poderia ser apresentado no Palácio do Planalto
Pedro Hallal

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.