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5 meses

CPI aprova quebra de sigilo de Pazuello e servidor acusado de pedir propina

Ex-ministro da Saúde, Pazuello deve ser alvo de quebras de sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário - Leopoldo Silva/Agência Senado
Ex-ministro da Saúde, Pazuello deve ser alvo de quebras de sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado

Anaís Motta e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e Brasília

30/06/2021 16h04Atualizada em 30/06/2021 16h49

A CPI da Covid aprovou hoje as quebras de sigilo telefônico, telemático, fiscal e bancário do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e do agora ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, citado em uma denúncia de propina envolvendo a compra de vacinas contra a covid-19, revelada ontem pela Folha de S.Paulo.

As quebras dos sigilos telefônico e telemático de Pazuello já haviam sido autorizadas pela comissão no último dia 10. Mas, em meio a novas acusações de irregularidades e suposta cobrança de propina por servidores do Ministério da Saúde, a determinação avançou para os dados fiscais e bancários do general, além de incluir Dias.

O nome do ex-diretor veio à tona após Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, dizer à Folha que Dias cobrou propina de US$ 1 por vacina para fechar contrato de compra de 400 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca. Segundo Pereira, o pedido foi feito em um jantar no Brasília Shopping, em 25 de fevereiro.

A AstraZeneca nega que a Davatti a represente. A empresa já chegou a ser desautorizada pela farmacêutica no Canadá.

Paralelamente, reportagens publicadas na imprensa mineira indicam que a Davati pode estar fraudando o processo de aquisição de vacinas. A empresa teria negociado com várias prefeituras, com o objetivo de conseguir uma carta de intenção demonstrando interesse na compra de vacinas da AstraZeneca. Depois de conseguir a carta, porém, as conversas emperraram.

O ex-servidor do Ministério da Saúde foi exonerado ontem à noite, após a publicação da reportagem. O Ministério da Saúde afirma que a decisão foi tomada pela manhã.

Indicação de Ricardo Barros

Roberto Ferreira Dias foi indicado para o cargo pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde, e pelo ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Barros nega ter apadrinhado o diretor, que assumiu a função na gestão do então ministro Luiz Henrique Mandetta.

Além disso, em outubro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou indicar Dias para o cargo de diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Seu nome chegou a ser publicado no DOU (Diário Oficial da União) para que fosse apreciado no Senado, mas Bolsonaro desistiu da indicação após o servidor ser acusado de assinar outro contrato suspeito, também na área da Saúde.

Segundo reportagem do Congresso em Foco, parceiro do UOL, o próprio Ministério da Saúde avisou o TCU (Tribunal de Contas da União) sobre possíveis irregularidades no contrato.

(Com Estadão Conteúdo)

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.