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2 meses

Renan ataca Bolsonaro: Posa de macho no cercadinho e emudece diante da CPI

Do UOL, em São Paulo

09/07/2021 00h06

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), atacou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para quem, segundo ele, "posa de macho no cercadinho" e "emudece diante da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)".

"O fato é que o presidente da República emudeceu numa questão que é muito importante para que nós possamos balizar o aprofundamento da investigação e possamos também ter uma resposta fundamental para [saber] de que maneira nós devemos tratar o deputado [Luis Miranda (DEM-DF)], e seu irmão [Luis Ricardo Miranda]", disse Renan, durante entrevista à GloboNews.

"O presidente da República calou já faz 13 dias. E se calando, ficando em silêncio, ele deixa muito mal o líder do seu governo na Câmara dos Deputados que já ocupou cargos importantíssimos na República, porque ele em nenhum momento negou a afirmação que fizeram o deputado e o seu irmão. Isso é muito ruim para um presidente da República que posa de macho todos os dias no cercadinho do Alvorada e emudece diante a comissão parlamentar de inquérito", concluiu.

Em depoimento à comissão, na semana passada, o deputado Luis Miranda disse que comunicou ao presidente sobre irregularidades nas negociações para compra da vacina Covaxin. Na ocasião, Miranda deixou claro que Bolsonaro teve indícios, mas não agiu, o que pode ser configurado como crime de prevaricação.

Hoje, integrantes da CPI da Covid enviaram carta para que o presidente Bolsonaro confirme ou não as denúncias feitas pelo parlamentar e ex-aliado.

Bolsonaro, por sua vez, desprezou a carta enviada pelos senadores usando expressão chula, enquanto realizava a transmissão de sua live semanal nas redes sociais.

"Hoje foi o Renan [Calheiros], o Omar [Aziz] e o saltitante, fizeram uma festa lá embaixo, na Presidência, entregando um documento para eu responder. Sabe qual a minha resposta, pessoal? Caguei", disse Bolsonaro durante sua live semanal, fazendo menção ao relator e ao presidente da comissão. "Saltitante" é como o presidente chama, em tom ofensivo, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.