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Aziz atribui posts de Bolsonaro a filho: 'Moleque. Não vou responder'

"Sei que ele [Bolsonaro] está sofrendo muito. Não creio que foi ele que tuitou", disse Aziz à CNN Brasil - Jefferson Rudy/Agência Senado
"Sei que ele [Bolsonaro] está sofrendo muito. Não creio que foi ele que tuitou", disse Aziz à CNN Brasil Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

15/07/2021 18h36Atualizada em 15/07/2021 19h16

Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) se negou hoje a responder às postagens ofensivas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a comissão. Segundo o parlamentar, Bolsonaro não é o autor das publicações — as quais atribuiu a um de seus filhos, sem especificar qual —, uma vez que está "convalescendo" em um hospital de São Paulo, onde trata uma obstrução intestinal.

"Não vou responder ao presidente, que está convalescendo. É uma pena que o filho dele, que está lá ao lado, [esteja] tirando fotos para tentar vitimizar o pai, como se nós tivéssemos responsabilidade pelo que está acontecendo. Nós não temos responsabilidade, torcemos pela saúde do presidente Bolsonaro", disse Aziz à CNN Brasil.

Sei que ele está sofrendo muito, porque você ter soluços por dias, e as dores que ele deve estar sentindo... Eu não creio que foi ele que tuitou isso. Creio que ele nem tenha condições neste momento. Isso é algum moleque, que não tem o que fazer. É uma pessoa reprimida por natureza, que quer extravasar aquilo que sente, e não pode. (...) Não foi o presidente Bolsonaro.
Omar Aziz, presidente da CPI

Criticado por Bolsonaro, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também se negou a rebater as ofensas do presidente. Segundo o parlamentar, a única coisa que o frustra é ser o segundo país com mais mortes por covid-19 no mundo — posição que, acrescentou, deveria ser de preocupação de Bolsonaro.

"É insistente o adjetivo ["saltitante"] do tratamento que o presidente da República usa a meu respeito. Eu quero dizer a Sua Excelência e seus apoiadores que eu não me importo. Eu me importo de ser chamado de 'corrupto' e "miliciano", mas como eu não tenho esses adjetivos...", afirmou o senador durante coletiva.

Ataques de Bolsonaro

Mais cedo, o perfil de Bolsonaro no Twitter questionou as declarações de Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply no Brasil, à CPI da Covid, voltando a atacar senadores que compõem a comissão. Nos posts, Bolsonaro ainda chamou a CPI de "circo" e se referiu de forma ofensiva ao vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

As publicações acontecem enquanto o presidente segue internado no Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, para tratar uma obstrução intestinal. Segundo último boletim médico, seu quadro está evoluindo de forma "satisfatória", mas ainda não há previsão de alta.

"O que frustra o G7 [da CPI] é não encontrar um só indício de corrupção em meu governo. No caso atual, querem nos acusar de corrupção onde nada foi comprado, ou um só real foi pago. No circo da CPI, Renan [Calheiros], Omar [Aziz] e Saltitante [Randolfe] estão mais para três otários que três patetas", diz um dos tuítes.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.