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Conteúdo publicado há
1 mês

Pedido de requerimento contra a Jovem Pan gera bate-boca na CPI da Covid

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

03/08/2021 10h54Atualizada em 03/08/2021 17h28

Senadores da CPI da Covid travaram discussão acalorada durante a abertura da audiência de hoje, dia em que o colegiado retoma suas atividades após duas semanas de recesso. O motivo: um requerimento que pleiteava a quebra de sigilo bancário da rádio Jovem Pan.

Parlamentares governistas criticaram a iniciativa e afirmaram que ela simbolizava uma agressão à liberdade de imprensa. O relator da CPI e proponente do requerimento, Renan Calheiros (MDB-AL), justificou-se e disse que houve um equívoco por parte de sua assessoria na elaboração do documento. O mesmo foi retirado de pauta.

A discussão se manteve entre os senadores mesmo depois da autocrítica de Calheiros e da orientação para retirar o requerimento da pauta da audiência.

A rádio havia sido classificada como "grande disseminadora de fake news" e integrava a investigação contra o chamado "gabinete do ódio".

De início, falo sobre retirada da pauta sobre transferência de sigilo da rádio Panamericana SA. Mais uma vez, desculpa pelo equívoco da assessoria
Renan Calheiros

Membro da bancada bolsonarista, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou considerar que a quebra de sigilo ia na contramão do que preceitua a CPI da Covid e disse que a própria comissão é responsável por produzir "fake news".

Nós estamos transformando a CPI da Pandemia em CPI da fake News. Outra coisa, o relator, senador Renan Calheiros, que apresentou esse requerimento de forma lamentável, e ao fundamento das fake news, ele próprio no âmbito da CPI veiculou tempos atrás uma das maiores fake news dessa pandemia, a dose de vacina a US$ 150. Se há acusação sobre fake news em veículos profissionais, o mecanismo é outro
Marcos Rogério

Na sequência, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu a palavra para rebater o parlamentar, que reforçou que Marcos Rogério queria apenas criar um "fato" político, visto que o pedido havia sido suspenso pelo próprio relator.

Em defesa de Renan Calheiros, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Omar Aziz, afirmou que Rogério agiu como "paladino e defensor da imprensa", mas que a mesma postura não é vista quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ataca os profissionais e os veículos de comunicação do país.

Vamos sim, defender, uma imprensa livre, democrática. Posso discordar da linha editorial, mas o princípio que eu defendo é para todos
Omar Aziz

Retomada das sessões na CPI

Suspensa por duas semanas durante o recesso parlamentar, a CPI da Covid retoma as atividades hoje, com mudança na composição e expectativa de novas frentes de apuração.

Desde a última audiência da comissão, no dia 15 de julho, os senadores receberam mais de cem remessas de documentos sobre pessoas e empresas investigadas.

Parte do material entregue ao colegiado trata de pontos já debatidos desde o início da CPI, como a promoção de remédios ineficazes contra a covid e os encontros do chamado "gabinete paralelo" com autoridades do Ministério da Saúde.

* Com a colaboração de Gabriel Toueg

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.