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1 mês

Senah buscou municípios para ofertar vacina, diz reverendo Amilton à CPI

03.ago.2021 - Reverendo Amilton Gomes de Paula, em depoimento à CPI da Covid - Pedro França/Agência Senado
03.ago.2021 - Reverendo Amilton Gomes de Paula, em depoimento à CPI da Covid Imagem: Pedro França/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 17h33Atualizada em 03/08/2021 18h36

Após negar que tenha conversado com prefeitos e governadores sobre vacinas, o reverendo Amilton Gomes de Paula disse que a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários) buscou municípios para ofertar doses de imunizantes. Ele presta depoimento hoje na CPI da Covid.

"Houve sim essas demandas com carta de encaminhamento da Davati a municípios", afirmou Gomes de Paula, que diz ter recebido a confirmação do advogado. "Quem fez isso foi o Renato Gabbi [integrante da Senah]".

Segundo o reverendo, alguns estados manifestaram interesse na proposta. "Eles manifestaram interesse em divulgar a Davati em alguns municípios, para vender vacinas", declarou.

A confirmação de Gomes de Paula ocorreu após emails obtidos pela CNN que indicam que o reverendo e integrantes da Senah tentaram vender vacinas a diversos municípios brasileiros.

No dia 25 de fevereiro, mostram documentos obtidos pela CNN, o reverendo enviou email para a Amac (Associação dos Municípios do Acre), que representa as 22 cidades do estado. Na mensagem, Gomes de Paula diz que está encaminhando informações sobre as vacinas da AstraZeneca e que a venda seria feita "com viés humanitário". A mensagem é assinada pelo próprio Amilton Gomes de Paula.

Em março, em email para Renato Gabbi, a Amac responde com uma carta de intenção para a compra de vacinas da Janssen.

Segundo a CNN, Gabbi remeteu o pedido ao representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, que afirmou não ter mais disponibilidade do imunizante e que a Davati poderia fornecer doses da AstraZeneca. O negócio não foi firmado.

O reverendo Gomes de Paula é apontado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti como intermediador de uma oferta supostamente superfaturada de 400 milhões de doses de vacinas de Oxford/AstraZeneca ao Ministério da Saúde.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.