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Saúde foi entregue a quem não se preocupava com a covid, diz Otto Alencar

Do UOL, em São Paulo

04/08/2021 08h53Atualizada em 04/08/2021 10h01

O senador Otto Alencar (PSD-BA), membro da CPI da Covid, disse que o Ministério da Saúde foi entregue a pessoas que não estavam preocupadas com o controle da covid-19 no Brasil. Em participação no UOL News, Alencar ainda apontou falta de experiência e conhecimento de integrantes da pasta em relação à doença.

A avaliação do senador ocorre em meio a investigações da CPI em relação a possíveis irregularidades na negociação de vacinas contra covid-19 pelo Ministério da Saúde com a convocação para depoimentos de pessoas apontadas como intermediários.

"O principal ministério do Brasil desde que identificou a covid é o da Saúde foi entregue a pessoas que não tinha conhecimento da doença e experiência para trabalhar na contenção da doença", disse Otto Alencar.

"Ficou entregue a pessoas que não estavam se preocupando com o controle da doença, estava se preocupando com problemas internos e tráfico de influência. Todas essas vacinas foram negociadas por intermediários", completou.

Otto Alencar ainda comentou especificamente o depoimento de ontem do reverendo Amilton Gomes de Paula, que irritou senadores do colegiado ao fornecer respostas imprecisas e com contradições.

Em um dos breves momentos de maior clareza de raciocínio, a testemunha confirmou ter atuado como um dos elos para que a Davati Medical Supply —empresa americana representada pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti— conseguisse ofertar ao Ministério da Saúde um suposto lote de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Para o senador, o reverendo ocultou quem 'abriu as portas' para ele conseguir encontro entre intermediários e diretores do Ministério da Saúde. "Ninguém conseguiria em 4 horas levar dois representantes da Davati para vender 400 milhões de vacinas se não tivesse influência", disse.

Alencar ainda fez crítica direta ao ex-ministro Eduardo Pazuello. "Ele não tomava conhecimento [das negociações], ele recebia ordens do gabinete das sombras, formado por pessoas que também não tinham conhecimento sobre a doença".