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CPI da Covid: Quais perguntas o deputado Ricardo Barros deve responder

Ricardo Barros deve ser questionado, por exemplo, sobre imunidade de rebanho defendida pelo presidente Bolsonaro - Reprodução
Ricardo Barros deve ser questionado, por exemplo, sobre imunidade de rebanho defendida pelo presidente Bolsonaro Imagem: Reprodução

Eduardo Militão, Lucas Valença e Rubens Valente

Do UOL, em Brasília

12/08/2021 07h09

O líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, Ricardo Barros, presta depoimento hoje (12) na CPI da Covid. Ele deve ser questionado sobre suas relações com a compra da vacina Covaxin, com o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias e com a empresa de medicamentos Precisa.

O UOL listou de mais de uma dezena perguntas que devem ser feitas a ele pelos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (veja abaixo).

Barros foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer (MDB, 2016-2018). Também foi vice-líder do governo na Câmara durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 2003-2010). Em 2019, passou a dar orientações aos governistas no plenário da Câmara. Ele também responde a um inquérito policial sobre uma venda de usina no Paraná.

Em junho, negou ter participado da compra das vacinas da Covaxin, alvo de um inquérito na Polícia Federal e de uma investigação no Ministério Público.

O nome do líder surgiu em meio às investigações por intermédio dos irmãos Luis Miranda, deputado federal pelo DEM-DF, e Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

O deputado Barros teria sido mencionado por Bolsonaro como possível articulador de esquema que visava atropelar procedimentos burocráticos e acelerar a importação da Covaxin.

Barros também disse, ainda em 2020, que Jair Bolsonaro defendia 60% dos brasileiros contraíssem a covid-19 para que elas ficassem, supostamente, "imunizadas" contra o vírus.

O deputado disse ao UOL que está "tranquilo" e que vai prestar "esclarecimentos sobre ilações e mentiras". Ele não quis detalhar quais seriam as mentiras e suspeitas infundadas.

No entanto, ele reafirmou que a "imunidade de rebanho" poderia ser atingida se 60% da população contraísse o vírus. "A ciência diz que se 60% se contamina, a tendência é que o vírus perde o ambiente de propagação" contou.

Segundo Barros, esse cenário não aconteceu porque não houve contaminação e nem vacinação de 60% da população. Nos seus cálculos, haveria imunidade de rebanho se esse grupo de brasileiros estivesse vacinado ou já contaminado com covid-19.

O que a CPI deve perguntar a Barros

- O presidente Jair Bolsonaro tentou combater a pandemia infectando 60% da população? Como se deu a decisão de fazer essa chamada "imunidade de rebanho"?

- O líder do governo Ricardo Barros agiu, intercedeu, pediu, solicitou ou cobrou celeridade na assinatura do contrato do Ministério da Saúde com fabricantes e representantes da vacina Covaxin? De que maneira?

- O sr. esteve quantas vezes no Ministério da Saúde em 2020? E em 2021? Com quem conversou e quais eram os temas dessas reuniões?

- O deputado conhece o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias? Quais as ligações com ele?

- Qual a relação do líder do governo com o ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR)? Lupion foi responsável pela indicação de Roberto Dias ao ministério?

- Quando o senhor era ministro da Saúde, por qual motivo o senhor encerrou as atividades da Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi) da pasta?

- Qual a relação do deputado com a empresa VTC Logística, prestadora dos serviços de transporte e armazenamento do ministério?

- Durante sua gestão à frente do ministério, o valor mensal pago à VTC Log subiu 18,29%. Por quê?

- Em um outro aditivo, o Departamento de Logística do Ministério autorizou pagar R$ 18 milhões a mais à VTC Log, mesmo depois de equipe técnica definir o valor em apenas R$ 1 milhão. Houve interferência do deputado nessa mudança? Qual?

- Existe a suspeita de que a VTC Log pagava um valor mensal a políticos do PP. O deputado tem conhecimento disso? Qual era a razão desses pagamentos? Quem os recebia?

- Quais ligações o senhor ainda mantém no Ministério da Saúde?

- Quem sugeriu o nome de Adeilson Loureiro para o departamento de Gestão da Vigilância em Saúde do ministério, durante sua gestão como ministro da Saúde?

- O senhor ou suas empresas tomaram empréstimos financeiros no Paraná? Quais? Eles foram pagos? Quando?

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