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CPI desconfia de atestados médicos e questiona hospital sobre depoentes

Thaís Augusto e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

01/09/2021 18h01Atualizada em 01/09/2021 20h49

A CPI da Covid desconfia que dois convocados estão fugindo da comissão. Eles são considerados "peças-chave" pelos senadores, que investigam ações e omissões do governo Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia.

O dono da Rede Brasil de Televisão, Marcos Tolentino, e o suposto lobista da Precisa Medicamentos, Marconny Albernaz de Faria, apresentaram atestados alegando estarem internados no hospital Sírio-Libanês para não comparecer aos depoimentos nesta semana.

A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito pediu a confirmação dos diagnósticos pelo hospital. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), chegou a ligar para o diretor-geral do Sírio-Libanês no meio da sessão do colegiado solicitando que o hospital providencie mais informações sobre o estado de saúde de ambos. A expectativa é que Tolentino e Marconny sejam examinados por uma junta médica.

Tolentino alegou ter sido hospitalizado com formigamentos pelo corpo e Marconny afirmou estar com dor pélvica. O último tem atestado de 20 dias, o que coincide com o término previsto da CPI segundo falas do relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

Horas após o questionamento, o médico de Marconny procurou a cúpula da CPI para informar que o atestado seria cancelado. Segundo o vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o profissional "notou uma simulação por parte do paciente" e se comprometeu a enviar explicações à CPI.

Com o documento suspenso, a CPI da Covid ouvirá amanhã o lobista Marconny Faria.

Mais cedo, Omar Aziz disse que os médicos que assinaram os atestados poderiam ser responsabilizados e chamados a depor se os problemas de saúde dos depoentes não fossem confirmados.

"O diretor-geral do Sírio vai tomar providências para saber o que está acontecendo. Tolentino se internou ontem à tarde, mas às 20h deu entrevista sorridente para O Antagonista. Ele também encaminhou sobre a questão do Marconi, que alega problema pélvico. Não é coisa que a pessoa está morrendo e que não possa vir aqui fazer depoimento. É uma forma de tentar fugir".

Aziz afirmou que os dois convocados podem ser conduzidos a prestar esclarecimentos na CPI pela Justiça.

"São duas peças importantes, o senhor Tolentino é o grande homem do FIB Bank e o Marconny é um senhor que está envolvido em muitas coisas, um lobista que aparece nas conversas, que tinha conhecimento de um grupo de pessoas que agia para tirar proveito da compra de vacinas e outros medicamentos".

O depoimento de Tolentino estava marcado para acontecer hoje, mas após a confirmação de sua ausência, os senadores convocaram o motoboy Ivanildo Gonçalves, que trabalha na VTCLog —empresa que possui contratos com o Ministério da Saúde e é investigada por indícios de corrupção e outros crimes.

Por meio de nota enviada à imprensa, o Sírio-Libanês disse Tolentino deu entrada pntem no hospital com "queixas de desconforto precordial e formigamento de membros" e que seu quadro de saúde nesta quarta é estável.

"O paciente foi internado e submetido a exames laboratoriais e de imagem. Exames laboratoriais revelaram hipopotassemia grave (potássio de 2,6), que pode induzir arritmia cardíaca. Aplicou-se terapia de reposição endovenosa de potássio e novos exames do aparelho digestivo, cardíacos e neurológicos estão sendo feitos. No momento, o paciente encontra-se estável. Não há previsão de alta hospitalar", diz a nota.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria era independente ou de oposição), investigou ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Teve duração de seis meses. Seu relatório final foi enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.