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1 mês

'Não vou recuar um milímetro', diz Otoni após ser alvo de mandado do STF

Do UOL, em São Paulo

20/08/2021 08h43Atualizada em 20/08/2021 10h06

O deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) disse que não irá recuar "um milímetro" em relação aos seus posicionamentos. As declarações foram feitas hoje, nas redes sociais, após o parlamentar ser alvo de um mandado de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Ao todo, 29 mandados foram autorizados pelo ministro do STF. Agentes da Polícia Federal foram ao menos a quatro endereços no Rio de Janeiro e em Brasília ligados ao cantor, na casa e no gabinete do deputado.

Em uma mensagem aos apoiadores e à imprensa compartilhada no Facebook, Otoni de Paula afirmou que "dentro do que a democracia permite" ele manterá a postura que tem e que não acredita que poderá ser preso por não ter feito nada que o possa incriminar.

De acordo com o deputado, a polícia não encontrou dinheiro escondido ou joias para serem apreendidas em sua residência.

Não, eu não fiz nada para ser preso, ok? Claro que nós estamos vivendo em um estado de exceção no Brasil, é claro, portanto em um estado de exceção você pode ser preso
Otoni de Paula

Segundo a Polícia Federal, objetivo das ações contra o parlamentar e Sérgio Reis é apurar o eventual cometimento do crime de "incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes".

Diante da busca e apreensão, o deputado classificou o comportamento do ministro Alexandre de Moraes como "ditatorial" e disse ainda que o mandado de hoje "não muda em nada" a sua vida porque ele está "de cabeça erguida" por não dever "nada a ninguém".

Otoni disse ainda que Moraes é a autoridade que tem prerrogativa de prender "todos aqueles que ele acha que tem de prender e que ele acha que ameaçam a democracia".

O ministro Alexandre de Moraes, que tem tido um comportamento autoritário e, por isso, que eu já adjetivei o comportamento dele como déspota
Otoni de Paula

Na sequência, o deputado disse que um dia todos irão prestar contas a Deus e, se a justiça na Terra falhar contra o ministro Alexandre de Moraes, a justiça divina essa não falhará.

Os mandados, que foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, estão sendo cumpridos no Distrito Federal, além dos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará e Paraná.

Políticos estão repercutindo nas redes sociais a operação. O do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), chamou os dois principais alvos da ação — Otoni de Paula e o cantor Sérgio Reis — de "vítimas".

Entenda o caso

Otoni foi denunciado pela PGR ao STF em julho de 2020 pelos crimes de difamação, injúria e coação no curso do processo.

O deputado havia divulgado um vídeo se referindo ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo", "canalha" e "esgoto do STF". Após a divulgação das imagens, o parlamentar se tornou alvo de um inquérito que apura o seu envolvimento em atos antidemocráticos.

Devido a repercussão do caso, Otoni de Paula entregou o cargo de vice-liderança do governo, motivado — segundo ele —, porque teriam tentado associar o presidente Bolsonaro a suas perspectivas sobre Moraes.

Em julho de 2020, a Justiça de São Paulo determinou que Facebook, Google e Twitter retirassem do ar ataques feitos pelo deputado contra o ministro.

O deputado foi condenado a indenizar Moraes em R$ 70 mil, por danos morais, visto pelo parlamentar como "exagero". A medida foi expedida pela 44ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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