PUBLICIDADE
Topo

Política

Sakamoto: Bolsonaro continua mito para seguidores mais fanáticos

Colaboração para o UOL

10/09/2021 18h47

Em participação no UOL News, o colunista Leonardo Sakamoto avaliou que a nota de Jair Bolsonaro (sem partido) após as manifestações antidemocráticas de 7 de Setembro não foi entendida como um recuo pelos apoiadores mais fanáticos do presidente da República.

Dois dias após discurso golpista durante atos em Brasília e em São Paulo, Bolsonaro divulgou carta na qual ameniza o tom, declara respeito às instituições brasileiras e diz que "suas palavras decorrem do calor do momento".

Para Sakamoto, muitos tópicos devem ter sido discutidos nos bastidores para que tudo, aparentemente, "voltasse ao normal". "Mas deixando claro que não voltou. O Brasil não está ao normal. Cada ataque do presidente é mais violento do que o anterior."

"Agora, ele vai entrar num período de calmaria. Muita gente diz que ele está moderado — não está. Daqui a pouco ele ataca a democracia novamente, e é por isso que a pressão dos movimentos sociais e populares é tão importante nesse momento", completou.

Na análise do colunista, Bolsonaro não pretendia dar um golpe de Estado no 7 de Setembro, contrariando parte de seus seguidores que foram às ruas preparados para uma "guerra".

"Tem uma parte do pessoal que não foi simplesmente protestar. Estavam esperando uma revolução armada no dia 7/9 e não houve por uma série de bloqueios institucionais."

Apesar disso, Sakamoto também classificou como exagero dizer que o governo de Jair Bolsonaro acabou. " A gestão Bolsonaro é um pacote de inflação, desemprego, fome e morte. Mas, o que chamamos de inferno, ruralistas, empresários, religiosos, milicianos e militantes bolsonaristas mais fanáticos chamam de paraíso", disse.

Isso porque, segundo o colunista, quando candidato, em 2018, Bolsonaro prometeu a esses grupos um "desrespeito às regras" institucionais.

"Jair Bolsonaro prometeu na campanha eleitoral de 2018 desmontar o Estado para que esses grupos pudessem atuar livremente sem essas amarras — então, para esse grupo, Jair continua mito."

Política