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Ato no Rio se racha, com divergência entre MBL e Vem Pra Rua sobre Lula

12.set.2021 - Manifestantes em ato contra Bolsonaro no Rio de Janeiro - Carolina Farias/UOL
12.set.2021 - Manifestantes em ato contra Bolsonaro no Rio de Janeiro Imagem: Carolina Farias/UOL

Carolina Farias

Colaboração para UOL, no Rio de Janeiro

12/09/2021 14h17

Dois movimentos dividiram neste domingo (12) os poucos manifestantes que ocuparam parte de uma das vias da avenida Atlântica, a orla de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. O Vem pra Rua e o MBL (Movimento Brasil Livre) são contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas somente o primeiro também mostra rejeição à candidatura do ex-presidente Luís Inácio lula da Silva para as eleições de 2022.

Em dois caminhões os organizadores do protesto dividiram o público. Entre os veículos, ficou um espaço de cerca de cem metros ocupado por ambulantes e pessoas que transitavam na orla e manifestantes perdidos entre qual lado escolher.

A baixa adesão do público já era esperada pelos movimentos. Meggy Fernandes, da organização do ato por parte do Vem Pra Rua, disse que o movimento não chegou a fazer estimativa de público. "Estava dentro do esperado. Não dava para concorrer com um ato como foi o do Bolsonaro que pagou lanche e ônibus para os manifestantes", disse a organizadora.

O Vem pra Rua não tinha uma estimativa concreta de público que aderiu ao seu lado do protesto. Ao fim do ato, por volta das 13h, membros da organização disseram que o público oscilou entre 5 mil e 10 mil participantes.

Um tema unia os dois lados do protesto: o impeachment do presidente Bolsonaro. O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania), atualmente licenciado e ocupando o cargo de secretário municipal de governo e Integridade Pública da Prefeitura do Rio subiu para discursar nos dois caminhões. Nas duas ocasiões ele cobrou o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas), para colocar o processo de impeachment em pauta.

"Lira você é cúmplice do genocídio e da fome. Vamos inviabilizar sua presidência se não aceitar o impeachment. Se o Bolsonaro der um golpe você será o primeiro a levar um chute na bunda dele", discursou nos dois palanques.

O fundador do partido Novo que foi candidato à presidência em 2018, João Amoedo também participou rapidamente do ato no Rio. "O 'fora Bolsonaro' é prioridade, o foco. Antes de pensar em terceira via na disputa de 2022. Ele tem que ser colocado para fora pelo impeachment", disse o político.

Fome e aumento da gasolina

Com um pacote de arroz e outro de feijão em mãos, além de uma camiseta que lembrava o sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho, o aposentado Vilmar Torres quis lembrar que o governo Bolsonaro é responsável pela alta de preços.

"Hoje temos uma inflação real que está matando as pessoas de fome. Sou contra o Bolsonaro e contra o Lula também. Eu votaria em Ciro (Gomes) hoje", disse o manifestante.

A também aposentada Márcia Quintães pedia o impeachment em um cartaz e afirmou que votou e votará em Lula em 2022.

"Onde tem 'Fora Bolsonaro' eu estou. O que ele está fazendo não é certo. Tudo aumentou. Olha a gasolina!", ressaltou a aposentada.

Além dos já tradicionais ambulantes de bebidas, churrasco, cartazes e camisetas, o autônomo Gabriel Mattos levou para o protesto suas "pílulas" anti-Bolsonaro: biscoitos de parmesão com os dizeres "Fora Bolsonaro". Cada pacotinho com seis biscoitos custava R$ 5.

"Vendi uns 15 pacotes. Sou fora Bolsonaro, mas vim também para reforçar a renda que durante a pandemia caiu muito. Eu fiz com forminhas que vendem no Mercado Livre", disse o autônomo.

A reportagem procurou a Polícia Militar para saber qual a estimativa de público esteve no ato em Copacabana, mas a corporação informou que não faz esse cálculo de público.

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