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CPI ouve diretor da Prevent Senior sobre suposta pressão pelo 'kit covid'

CPI da Covid entra na reta final de depoimentos, pois Renan Calheiros (MDB-AL) pretende entregar relatório até o fim do mês - Pedro França/Agência Senado
CPI da Covid entra na reta final de depoimentos, pois Renan Calheiros (MDB-AL) pretende entregar relatório até o fim do mês Imagem: Pedro França/Agência Senado

Luciana Amaral e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

16/09/2021 04h00

A CPI da Covid recebe hoje em depoimento o diretor executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, para que ele explique suposta pressão da empresa pelo uso do chamado "kit covid" em pacientes com coronavírus.

O kit é composto por medicamentos, como cloroquina, azitromicina e ivermectina, ineficazes contra a covid-19. O uso desses remédios foi estimulado de forma indiscriminada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao longo da pandemia, na contramão do que orienta a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Pedro Júnior obteve no STF (Supremo Tribunal Federal) o direito de ficar em silêncio em resposta a perguntas que possam incriminá-lo. O ministro da corte Ricardo Lewandovski, porém, não o dispensou de comparecer à comissão. Ele irá à CPI na condição de testemunha, o que implica assinar termo de compromisso de falar a verdade.

O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou ter recebido denúncia de que a Prevent Senior teria pressionado profissionais e pacientes a utilizar remédios do "kit covid". A empresa estaria, segundo o petista, promovendo ainda tratamentos experimentais sem o consentimento de pacientes.

"Recebi aqui uma correspondência, que é cópia de um processo que está sendo movido por um grupo de profissionais médicos ligados à rede Prevent Sênior, em que formalizaram uma denúncia contra essa instituição, por conta da política de coerção que foi assumida por essa direção em termos de orientações aos profissionais médicos, para adotarem aquelas orientações do chamado tratamento precoce. Inclusive, aqueles que, em algum momento, se recusaram a implementar essas medidas foram demitidos", disse Costa na CPI em 26 de agosto.

O Ministério Público de São Paulo abriu investigação sobre o caso.

Segundo o senador, as denúncias apontam ainda que profissionais de saúde teriam sido proibidos de usar equipamentos de proteção individual, até com o objetivo de "disseminar o vírus, no ambiente hospitalar, para que, assim, pudesse ser feita uma pesquisa que constava da utilização de cloroquina, de azitromicina, de ivermectina com os pacientes".

"Uma das coisas que o hospital orientava era que os pacientes e os seus familiares não tivessem conhecimento de que essa experiência estava sendo feita, que não tivessem conhecimento de que estavam sendo administrados esses medicamentos. A informação que se tem é que isso foi um acerto entre a direção do hospital e o governo federal, contra aquelas orientações que havia do Ministério da Saúde, no período do ministro Mandetta", declarou Costa.

Para o senador, documentos apontam que o chamado "gabinete paralelo" — grupo que teria assessorado informalmente Bolsonaro às margens das determinações do Ministério da Saúde — estaria por trás da iniciativa da Prevent Senior. Segundo integrantes de oposição da CPI, faziam parte do "gabinete paralelo" a médica Nise Yamaguchi e o empresário Carlos Wizard, por exemplo.

A convocação de Pedro Batista Júnior, a pedido de Humberto Costa, foi aprovada na CPI em 3 de agosto. No requerimento de convocação, o senador incluiu mensagem atribuída a cliente da Prevent Senior em que denuncia suposto assédio para a utilização do 'kit covid', sem citar nomes ou data.

A comissão também já pediu o compartilhamento de série de informações sobre a atuação da Prevent Senior a órgãos como o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Ministério Público de São Paulo e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, além da própria empresa.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.