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Tabata aponta machismo em tratamento: 'Eu incomodo porque sou diferente'

Tábata Amaral em entrevista ao "Conversa com Bial" - Reprodução/Globo
Tábata Amaral em entrevista ao "Conversa com Bial" Imagem: Reprodução/Globo

Colaboração para o UOL

17/09/2021 01h56Atualizada em 17/09/2021 16h44

Deputada federal pelo estado de São Paulo, Tabata Amaral (em migração para o PSB) disse ser alvo de machismo no tratamento direcionado diariamente a ela.

"É raro uma semana em que alguém não me para em alguma entrada na Câmara (dos Deputados). Ninguém é obrigado a me reconhecer, mas é muito engraçado que, se eu caminho com um assessor do meu time que é um homem, é 'Oi, deputado. Quem é você?'. Eu tento enfrentar isso com leveza", contou a deputada durante o "Conversa com Bial" de hoje.

O meu estereotipo de mulher jovem não encaixa na politica para muita gente. Eu tenho clareza que eu incomodo as pessoas, porque eu sou diferente. Porque alguém que vem da periferia, que é mulher, que é jovem, vê o Brasil de uma forma diferente, porque na hora que eu tenho coragem de denunciar o toma-la-dá-cá, isso incomoda. Agora a agressividade é porque eu sou mulher, as ameaças de morte, os comentários sobre a minha aparência, pra me silenciar, pra dizer que eu não deveria tá ali, é machismo". Tabata Amaral

Tabata continuou: "A discordância faz parte da política, a disputa também, o que não cabe são ameaças, tantas violências, pra que algumas pessoas tenham medo de falar".

Bial relembrou ainda os comentários que Tabata recebeu após ter votado a favor da Reforma da Previdência de nomes de dentro do PDT, como de Ciro Gomes. A deputada reforçou o teor machista dos ataques.

Bial, acho que é importante contextualizar que a gente acaba de ver um exemplo do machismo e do autoritarismo que infelizmente prevalecem na política brasileira. No dia da votação da reforma da previdência, o Ciro me ligou, dizendo que eu estava certa, mas que a política era assim e ele estava mudando a orientação. Porque ele havia defendido antes uma reforma da previdência e ele sabia do quanto que eu lutei pra melhorar o texto. E ele falou 'olha, a política é assim', porque o Lula tava preso na época e ele precisava fazer um movimento mais à esquerda para herdar esses votos. E eu tentei explicar que na minha cabeça a política não era assim e eu achei que tava tudo bem". Tabata Amaral

"Eu queria ressaltar que aqui não é só a discordância que talvez tenha feito com que ele agisse dessa forma (com ataques). Porque outras 7 pessoas do meu partido votaram como eu. Mas ele achou que eu fosse o alvo mais fácil. Porque ele olhou pra foto e tinha ali o que na cabeça dele era uma menina. Obviamente ele estava errado. Eu não sou uma menina no sentido de quem se acovarda, abaixa a cabeça e bate continência", completou.

A deputada ressaltou ainda que algumas setores da esquerda deixaram de "ouvir quem tá na ponta" e que o mundo das redes sociais nada tem a ver com o mundo da periferia. "Essas pessoas que eu busco representar, elas se veem representadas no meu trabalho".

A entrevista com Tabata faz parte da série com personalidades relevantes nas eleições de 2022 e também teve a participação do prefeito de Recife, João Campos (PSB), namorado da deputada.

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