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Com Pacheco, Kalil e de olho em Alckmin, Kassab quer PSD como protagonista

O senador Rodrigo Pacheco em evento do PSD, no Rio de Janeiro, com o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), os senadores Angelo Coronel (PSD-BA), Carlos Fávaro (PSD-MT) e Nelsinho Trad (PSD-MS) e Gilberto Kassab, presidente do partido - Divulgação/PSD
O senador Rodrigo Pacheco em evento do PSD, no Rio de Janeiro, com o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), os senadores Angelo Coronel (PSD-BA), Carlos Fávaro (PSD-MT) e Nelsinho Trad (PSD-MS) e Gilberto Kassab, presidente do partido Imagem: Divulgação/PSD

Lucas Borges Teixeira e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

27/10/2021 04h00

Pela primeira vez desde 2011, quando foi fundado, o PSD não deve estar aliado a PT ou PSDB na disputa pelo Planalto. É esse o objetivo do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, que deu início à sigla.

Para 2022, o partido ventila o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que deixa o DEM e deve estar filiado oficialmente a partir de hoje (27). Mas não só: para as próximas eleições, o partido pretende deixar de ser coadjuvante no Executivo e assumir alguns dos estados mais populosos do país.

A aposta mais alta é em São Paulo. Kassab sonda o ex-governador Geraldo Alckmin, de saída do PSDB e que ainda não confirmou oficialmente que mudará para o PSD —ele também é sondado pelo União Brasil. Alckmin deve seguir no PSDB até pelo menos as prévias, no fim de novembro.

Em Minas Gerais, o nome do prefeito belo-horizontino Alexandre Kalil (PSD) já aparece em segundo nas pesquisas. Ainda há nomes sendo preparados no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, no Tocantins e em Mato Grosso do Sul, com possibilidade de chapa própria também na Bahia.

De olho no Planalto

Pacheco ainda não anunciou oficialmente que irá participar do próximo pleito como presidenciável, mas o PSD está animado com a possibilidade de uma primeira candidatura ao Palácio do Planalto.

"É um partido novo, jovem, fez dez anos agora. E nós entendemos que o partido se preparou para ter, a partir destas eleições, candidaturas importantes", disse Kassab, presidente nacional do partido, ao UOL.

O nome ainda precisa ser mais conhecido. Na última pesquisa DataFolha, de setembro, Pacheco aparece com apenas 1% das intenções de voto. Pessoas próximas ao partido e cientistas políticos avaliam que, no momento, ele seria um bom balão de ensaio para a dita terceira via. Se crescer, melhor. Se não, é um nome forte para compor cenário.

A impressão é que é uma estratégia de barganha política. O PSD está, aos poucos, ocupando o espaço que era do PSDB. Não tem por que ter pressa em ser ator principal agora, isso vai acontecer nos próximos anos. Mas, para ter mais poder de barganha, precisa dar a entender que vai lançar voo próprio."
Cristiano Rodrigues, professor de Ciência Política da UFMG

Kassab diz que destacar esse cenário é uma "infantilidade". "Ignoram o potencial da candidatura do Pacheco", afirma o ex-prefeito.

Pessoas próximas ao partido e ex-colegas de Kassab no DEM, antigo PFL, sigla que o abrigava quando foi prefeito de São Paulo, brincam que Kassab consegue sentir o cheiro do gás antes de o botijão vazar.

A política não é um monobloco, é mosaico. Todo mundo do meio acena que Kassab é de uma capacidade de leitura política impressionante, das poucas pessoas que consegue olhar a árvore e a floresta. Se ele sentir que é possível, Pacheco tem ao seu lado um dos melhores articuladores da República. Se ele sentir que não é, pode, por exemplo, costurar um vice ou uma grande aliança."
Rodrigo Prando, professor de Ciência Política do Mackenzie

O PSD fez parte do governo de Dilma Rousseff (PT), a quem apoiou na eleição de 2014. Na sequência, esteve na gestão de Michel Temer (MDB) e apoiou o tucano Alckmin no pleito de 2018.

Na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), manteve postura independente, oficialmente, mas apoiou diversos projetos. Pacheco foi, inclusive, o candidato do governo à presidência do Senado. Durante a pandemia, foi se afastando e hoje não luta pelo impeachment, tampouco senta na mesma mesa.

"Um partido de centro, como é o PSD, pode pender para esquerda num momento, para a direita em outro", defende Alda Marco Antônio, coordenadora do PSD Mulher. "Nós somos racionais. A gente faz análise diária, permanente."

O ex-governador Geraldo Alckmin (de saída do PSDB), o ex-governador Márcio França (PSB), o ex-ministro e ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB), se reúnem no plenário da Câmara Municipal de Cajamar (SP), no sábado (25). O evento foi articulado pelas juventudes do PSB e do PSD -  Fernanda Luz/ Divulgação -  Fernanda Luz/ Divulgação
O ex-governador Geraldo Alckmin (de saída do PSDB), o ex-governador Márcio França (PSB), o ex-ministro e ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB) em evento do PSD e do PSB
Imagem: Fernanda Luz/ Divulgação

Encabeçar nos estados

Uma característica que acompanhou o PSD ao longo de seus primeiros anos foi a força que tem no Poder Legislativo. Criado para reunir políticos descontentes em outros partidos de centro, como Democratas e MDB, a sigla de Kassab surgiu atraindo lideranças regionais, que impulsionaram suas bancadas no Congresso.

Na última eleição, foi o quarto partido que mais elegeu deputados (34) e viu a vitória de quatro candidatos ao Senado. "É um crescer que nos credencia a estar ocupando, ou postulando a participação numa eleição presidencial", diz Ricardo Patah, coordenador do PSD Movimentos.

"Time que não joga não tem torcida. O crescimento de um partido é necessário e manter representação em todos os estados é fundamental. O presidente Kassab é um craque em convencer as pessoas que o PSD é o melhor caminho", afirma o senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Essa musculatura rumo ao Executivo já ganhou corpo nas eleições municipais em 2020, com eleição de 654 prefeitos, o que o tornou o segundo partido que mais cresceu em relação a 2016 e o terceiro maior em número total, atrás apenas de MDB e PP.

[O PSD] serve de abrigo para lideranças com trajetórias individuais estarem em um partido sem muitas amarras ideológicas para negociar alianças. Ele vai para onde convém."
Wescrey Portes Pereira, sociólogo

Mais competitivo nas eleições estaduais

Agora, o partido se mostra mais competitivo também nas eleições estaduais. Além da reeleição do governador Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, o partido deve ter candidatos competitivos em Minas Gerais, onde Kalil é o principal nome para confrontar Romeu Zema (Novo). Além de São Paulo, onde Alckmin está em primeiro com folga.

Em Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD) está em seu segundo mandato e seu sucessor não deverá ser do partido.

Há apostas também em:

  • Santa Catarina, com o ex-governador Raimundo Colombo;
  • Mato Grosso do Sul, com Marquinhos Trad, atual prefeito de Campo Grande;
  • E as possibilidades do senador Irajá Abreu concorrer em Tocantins; e
  • Felipe Santa Cruz, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), no Rio de Janeiro --com apoio de Eduardo Paes, prefeito da capital fluminense.

Paes é uma liderança que chegou ao PSD neste ano após ter vencido pelo Democratas a eleição municipal pela terceira vez. Foi no Rio, inclusive, que aconteceu um evento no sábado (23) com a presença de Kassab, Pacheco, Paes e os senadores Angelo Coronel, Carlos Fávaro (PSD-MT) e Nelsinho Trad (PSD-MS).

O estado tem ainda o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (sem partido), atualmente secretário de João Doria (PSDB-SP) no governo paulista, que não diz a que partido deverá se filiar, mas já indicou que deve seguir Paes.

Na Bahia, estado em que o partido tem dois senadores, o jogo ainda está em aberto. Segundo Kassab, "está se consolidando" a aliança com o PT, na chapa do senador e pré-candidato Jaques Wagner (PT) na corrida pelo governo baiano.

Mas um palanque próprio não está descartado. Segundo o senador Angelo Coronel, a "maioria do partido no estado defende candidatura própria com o nome do senador Otto Alencar [PSD] para o governo". Se acontecer, esta seria a primeira vez que o partido teria candidatura própria no estado, sem apoio ao PT.

Alencar, que ganhou notoriedade na CPI da Covid, fica com três opções: governo, reeleição ao Senado ou vice de Wagner, lugar que já ocupou na chapa vitoriosa de 2010, quando estava no PP. Historicamente, no estado, o PSD sempre esteve ao lado do PT, na eleição e reeleição de Rui Costa (PT-BA), em 2014 e 2018, respectivamente.

Outro estado em que o partido ganhou protagonismo graças à CPI da Covid foi no Amazonas, com o senador Omar Aziz (PSD), presidente da comissão. Eleito em 2014, seu nome é um dos especulados para concorrer ao estado no ano que vem e fazer frente ao governador Wilson Lima (PSC-AM), que quase sofreu impeachment em meio a denúncias envolvendo a pandemia.

"A meta é lançar a maior quantidade possível de candidatos a governador. E, lançados, que todos eles possam ter sucessos nas urnas", diz Kassab, que prefere não citar um número ideal de vitórias para 2022.

O fato de o partido não crescer organicamente, mas em razão das filiações de peso não gera incômodo na direção. "Os nomes vêm pela mobilidade natural da política brasileira. É natural que haja essa movimentação", alega Alda, que também defende o partido de críticas que dizem que o PSD é o "partido do Kassab". "Foi o grande condutor da criação do partido. Ele que conduz o partido nesses dez anos."

Kassab, por sua vez, também afirma que "o PSD não tem dono". "É o partido do Pacheco, do Ratinho Jr., do senador Anastasia, do Paes, do Colombo, do Aziz, do Alencar. E de tantos outros líderes que somaram nessa caminhada."

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