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Política

Novo confirma pré-candidatura de d'Avila, mas pode abrir mão por 3ª via

O cientista político Luiz Felipe d"Avila, pré-candidato do Novo a presidente da República - Jorge Araujo/Folhapress - 22.mai.2018
O cientista político Luiz Felipe d'Avila, pré-candidato do Novo a presidente da República Imagem: Jorge Araujo/Folhapress - 22.mai.2018

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

27/10/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Novo apresenta nome de cientista político para a eleição presidencial
  • Partido e d'Avila, porém, indicam que podem apoiar outra candidatura em 2022
  • Para o presidente do Novo, seria "irresponsável" fragmentar votos da terceira via

O Partido Novo irá homologar hoje a pré-candidatura do cientista político Luiz Felipe d'Avila a presidente da República. Apesar de apresentar o nome para a disputa pelo Planalto, o partido e o próprio d'Avila já indicam que é possível abrir mão da candidatura por uma terceira via entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido).

"Tem essa possibilidade. Não vamos ser irresponsáveis de dividir voto", disse ao UOL o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro. "Acho que a estratégia tem que ficar bastante clara. Lógico que vamos trabalhar para que seja o Novo o partido que possa liderar esse processo."

O pré-candidato ressalta que o desejo do partido é estar na corrida pelo Planalto, que ninguém lança um postulante "imaginando que vá abrir mão lá na frente". "Portanto, o Novo está numa candidatura e gostaria de ver, evidentemente, o seu candidato —nesse caso, eu— como esse aglutinador do centro", disse d'Avila. "Agora, é preciso também realismo político. O Brasil não pode continuar dividido."

Amoêdo fora

O cientista político ocupará o espaço que, em 2018, foi do economista João Amoêdo. Seu desempenho no último pleito, tendo alcançado 2,5% dos votos, indicava que ele seria um "nome natural" para 2022. Nas primeiras pesquisas, ele já aparecia ao menos no mesmo patamar obtido há três anos. Amoêdo, em meio a divergências com membros do partido, desistiu da disputa.

Para o deputado federal Paulo Ganime (RJ), líder do partido na Câmara, o Novo não perde sem Amoêdo porque, de 2018 "para cá, ele se descolou, começou a falar mal da bancada, do governador [mineiro, Romeu] Zema". "Ele não fez por onde para continuar sendo esse candidato natural. A maioria não via mais ele assim quando deixou de ter um discurso alinhado com o restante do partido."

Amoêdo não concedeu entrevista ao UOL. Em declarações recentes, ele questionou se o partido seria "oposição ou linha auxiliar ao governo Bolsonaro". O deputado, por sua vez, rejeita a tese de que o Novo esteja ligado ao bolsonarismo. "O Novo só é colado no Bolsonaro no imaginário de uma meia dúzia de pessoas", diz.

Segundo Ganime, quando deputados do Novo, incluindo o próprio líder, apoiaram o voto impresso, tema caro ao presidente, "foi apesar do Bolsonaro". "Voto impresso o Novo defendia muito antes de ser pauta do Bolsonaro", disse. "A gente tem a postura mais independente."

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Amoêdo foi candidato a presidente pelo Novo na eleição de 2018
Imagem: 12.set.2018 - Marcio Komesu/UOL

Monitorando

O Novo deve acompanhar as movimentações e o desempenho dos outros pré-candidatos nas pesquisas até perto do fim do primeiro semestre de 2022. Além do desempenho nas intenções de voto, um dos itens a observar é a rejeição.

"Nós sabemos que um candidato para unir o centro precisa não só mostrar capacidade de crescimento nas pesquisas, como também baixa rejeição. Porque se tiver alta rejeição é muito difícil unir o centro", diz d'Avila, que ainda não teve o nome testado em pesquisas. Até lá, diz, "todos nós temos de nos provar qual é o que tem o melhor discurso no sentido de dar liga com a população".

Não vamos teimar mais em coisas que podem dividir mais o país e permitir a vitória desse radicalismo político
Luiz Felipe d'Avila, pré-candidato do Novo

Apesar de a homologação acontecer hoje, o Novo pretende fazer um evento de anúncio na semana que vem, provavelmente em Brasília. Mas d'Avila já tem mantido agendas pelo país, tendo passado por Santa Catarina e Rio Grande do Sul nos últimos dias. Em novembro, deverá participar de compromissos no Rio de Janeiro, no Paraná, no Espírito Santo e no interior paulista.

Nada de Bolsonaro nem Lula

Ribeiro diz que o Novo está entre "os que não querem que Bolsonaro continue nem que Lula volte". "Estamos no grupo que desenha essa alternativa de terceira via." Nesse sentido, ele reforça que o partido pode tomar outro caminho, sem a candidatura de d'Avila.

Até não sei como a sociedade pode interpretar uma candidatura que vá até o fim de forma irresponsável e fragmente votos, e acabe tirando a oportunidade de colocar a terceira via no segundo turno. Nós não vamos ser irresponsáveis
Eduardo Ribeiro, presidente do Novo

debate - 13.ago.2021 - Reprodução/Facebook/lfdavilaoficial - 13.ago.2021 - Reprodução/Facebook/lfdavilaoficial
O cientista político Luiz Felipe d'Avila (à direita na foto) em debate com os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Eduardo Leite (PSDB)
Imagem: 13.ago.2021 - Reprodução/Facebook/lfdavilaoficial

Terceira via

Mas Ganime reforça: não pode ser "qualquer nome". A referência é direta a Ciro Gomes (PDT). "A candidatura centrada tem que ser de candidatos com visão similar, que entendam a pauta de reformas. Não que sejam pessoas iguais a Lula e Bolsonaro. Aí seria trocar seis por meia dúzia", disse. "Não dá para achar que Ciro Gomes, por exemplo, é um candidato de centro."

Na análise dos membros do Novo, um eventual cenário sem candidatura presidencial não deve prejudicar o Novo na busca por cadeiras no Congresso em uma eleição em que a cláusula de barreira terá um corte maior —o partido correria risco de ficar sem tempo no horário eleitoral nos quatro anos seguintes.

Para d'Avila, a influência maior na eleição para o Legislativo é das candidaturas majoritárias nos estados. "As eleições são muito regionais. Por isso a importância de lançar candidatos, nomes novos para disputar os governos estaduais."

Unido?

Apesar dos recentes embates dentro do partido, d'Avila vê hoje um Novo mais unido em torno de sua pré-candidatura. "Essa divisão que estamos tentando superar se dá em todos os partidos, em todos os lares. Ela contaminou o Brasil."

A provável filiação do ex-juiz Sergio Moro —também ex-ministro de Bolsonaro— ao Podemos rumo à eleição presidencial não é um temor para o projeto do Novo de buscar espaço na terceira via. "Que os partidos lancem nomes, e aquele que vingar que seja comprometido com a nossa agenda", disse Ribeiro. "E, se não formos nós, evidentemente apoiaremos. Mas vamos trabalhar para nós estarmos à frente quando o momento chegar."

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