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Moro ataca Lula e Bolsonaro: 'governos do mensalão e da rachadinha'

Pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro critica Bolsonaro e Lula em entrevista à Rádio Jornal. - Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress
Pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro critica Bolsonaro e Lula em entrevista à Rádio Jornal. Imagem: Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress

Colaboração para o UOL, em Brasília

03/12/2021 11h08Atualizada em 03/12/2021 15h11

De olho na disputa pelo Planalto em 2022, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) voltou a criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual mandatário, o presidente Jair Bolsonaro (PL).

"O brasileiro não pode ser obrigado a escolher um governo que no passado foi marcado por dois escândalos de corrupção, o mensalão e o petrolão, e o atual governo, da rachadinha", disse Moro, em entrevista à Rádio Jornal nesta sexta-feira.

Desde que se filiou ao Podemos, em novembro, Moro tem endurecido as provocações aos rivais e tentado se posicionar como o principal candidato da terceira via no pleito do ano que vem.

"Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha. Chega de orçamento secreto. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar a população", disse ele na cerimônia de filiação.

Apesar da crítica à rachadinha, Moro aceitou o cargo de ministro da Justiça no governo Bolsonaro num momento em que o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) já apurava suposto desvio de salários de assessores fantasmas no gabinete do vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente. A investigação trata de "inequívoca ocorrência" do crime, entre 2001 e 2019.

O senador Flávio Bolsonaro também enfrentava acusações do mesmo tipo, que se arrastaram por anos, desde que ele era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

O próprio presidente já foi apontado por denunciantes como operador do mesmo tipo de prática. Recentemente, uma ex-cunhada de Bolsonaro afirmou que ele era o chefe do esquema nos gabinetes parlamentares da família.

Relação com Joaquim Barbosa: possível vice

Durante a entrevista de hoje, Sergio Moro confirmou que tem conversado com o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa sobre as eleições de 2022. Congressistas do Podemos ouvidos pelo UOL dizem que, na avaliação da sigla, Barbosa é um bom nome para concorrer à vice-presidente, ao lado de Moro.

O ministro Joaquim Barbosa é um grande quadro... Eu acabei falando com ele, para ouvir suas ideias, ele é um grande nome.
Sergio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça, pré-candidato à Presidência

Moro afirmou que tem conversando com Barbosa e sinalizou a possibilidade de que os dois se encontrem pessoalmente em breve. "Acho que ele tem condição de ser o quiser no país. Ele liderou o mensalão", afirmou.

Apesar de ser atualmente filiado ao PSB, Barbosa não deve concorrer à Presidência da República pela sigla. Segundo parlamentares ouvidos pelo UOL, o PSB fez tudo para ele ser candidato em 2018, mas deve apoiar Lula em 2022. "Ele teria sido eleito. Agora, as circunstâncias são outras. A fila andou", comentou um deputado.

PT e Bolsonaro só deixaram tragédia, diz Moro

Moro disse hoje que a Lava Jato não quer transformar um debate para reconstruir o Brasil numa briga pessoal com o governo Bolsonaro, mas voltou a dizer que a soltura de Lula beneficiou Bolsonaro. "Que governabilidade é essa que neste governo e no governo do PT só deixou tragédia? Todo mundo sabe disso, que a soltura de Lula beneficiava o presidente, era assim que pensava", disse.

Alvo da Operação Lava Jato, conduzida por Moro, o petista ficou preso 580 dias e foi solto após o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância.

Em abril deste ano, o STF, anulou, por 8 votos a 3, as condenações de Lula na Lava Jato, o que permitiu ao petista recuperar o direito de se candidatar nas eleições de 2022. A maioria da Corte concluiu que a Vara Federal de Curitiba, da qual Moro era juiz, não tinha competência para julgar os casos envolvendo o ex-presidente.

Comparação de salários

Ontem, Moro havia comparado o salário de R$ 22 mil, que passou a receber do Podemos, ao vencimento que Lula tem no PT.

"Escolhemos um vencimento junto ao Podemos, por uma posição de dirigente partidário, e é um valor menor do que ganha o candidato do PT, Lula", disse Moro, em entrevista à Rádio Jovem Pan Paraná. "Não enriqueci como juiz, preciso me manter, esse salário com o Podemos é para me manter, é pouco comparado com o de Lula que recebe ainda aposentadoria e tem até carro pago pelo governo, não sabe nem o preço da gasolina."

Em setembro, no podcast Mano a Mano, Lula disse que ganhava cerca de R$ 27 mil por mês do partido.

Em nota, a assessoria do ex-presidente declarou que Lula não tem aposentadoria de presidente da República. "As questões de segurança para ex-presidente são aquelas definidas na lei. O ex-presidente sabe o preço da gasolina e do gás de cozinha, e o povo também sabe que o preço da gasolina e do gás de cozinha era bem mais baixo no governo dele".

Na mesma entrevista, Moro disse que Bolsonaro comemorou ao saber que o ex-presidente Lula foi solto em 2019. "O que a gente sabia é que o Planalto, o presidente comemorou quando o Lula foi solto em 2019 porque ele entendia que aquilo beneficiava ele literalmente. Então, ele não trabalhou para manter a execução em segunda instância", disse Moro.

Em sua live semanal, Bolsonaro retrucou as afirmações de seu ex-ministro.

"Um assunto que eu não queria tocar aqui porque mexe com ex-ministros. Mas esse cara está mentindo descaradamente. É um cara que quer ser candidato, é um direito dele, aí em vez de demonstrar o que ele fez, ele fica só apontando o dedo para os outros e mentindo", afirmou o presidente. "É o caso do Sergio Moro. A última notícia dele é de que 'Bolsonaro comemorou quando Lula foi solto, diz Moro. E no vídeo ele fala 'ouvi dizer'. É um papel de palhaço, [de] um cara sem caráter."

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