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Moro e Bolsonaro devem dividir palanque no PR em aliança com Ratinho Júnior

Aliança do governador do Paraná, aliado de Jair Bolsonaro (à esquerda), poderá ter partido de Sergio Moro (à direita)  - Adriano Machado/Reuters
Aliança do governador do Paraná, aliado de Jair Bolsonaro (à esquerda), poderá ter partido de Sergio Moro (à direita) Imagem: Adriano Machado/Reuters

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

17/12/2021 04h00

Pré-candidato do Podemos ao Planalto, Sergio Moro pode ter palanque dividido com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em seu estado natal. Antigos aliados, Moro e Bolsonaro hoje estão rompidos e costumam trocar críticas.

O Podemos articula uma aliança com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), candidato à reeleição e apoiador do presidente.

A proposta do partido é que Ratinho apoie a candidatura do senador Alvaro Dias (Podemos) à reeleição. Seria uma reedição da aliança entre Podemos e Ratinho feita em 2018, quando ambos saíram vitoriosos das disputas.

Na última eleição estadual, o atual governador assumiu o comando do Paraná e o partido de Moro ganhou uma cadeira no Senado com Oriovisto Guimarães —hoje, todos os senadores paranaenses são do Podemos.

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O senador Alvaro Dias (Podemos) disputará a reeleição no ano que vem e deve integrar a chapa de Ratinho
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Aliança predomina

Segundo Alvaro Dias, principal liderança do Podemos no estado, ainda não há uma definição do partido, que discute o "projeto mais adequado para as eleições do ano que vem".

"O que tem predominado até aqui é uma aliança com o governador, mas isso não exclui outras hipóteses", falou Alvaro Dias ao UOL. "Se obstáculos forem colocados nessa aliança, o partido estudará uma alternativa, que seria a de uma candidatura ao governo."

Consultados, outros líderes do Podemos se dizem contra a aliança e são favoráveis a ter uma candidatura própria ao governo paranaense. Um dos motivos seria justamente evitar o risco de ter a candidatura de Moro associada a um governador que deu apoio a Bolsonaro nos últimos anos.

Porém, o acerto com Ratinho, que beneficiaria Alvaro Dias como senador ligado ao governador, tem prevalecido no partido. A análise é de que, com o apoio de Ratinho, ele evitaria ter um oponente com a máquina estadual à disposição para fazer campanha para o Senado.

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Aliado de Bolsonaro, Ratinho Júnior vai tentar um novo mandato como governador do Paraná
Imagem: Arquivo - Geraldo Bubniak/AGB

De novo em 2022?

Em 2018, a aliança de Ratinho tinha, além de Podemos e PSD:

  • PPS (hoje Cidadania),
  • PV,
  • Avante,
  • PSC,
  • PR (hoje PL),
  • PRB (hoje Republicanos),
  • PHS (que foi incorporado ao Podemos);

Desse grupo, porém, hoje há partidos que, nacionalmente, são oposição ao governo Bolsonaro, apoiado por Ratinho. Entre eles, estão PV e Cidadania, por exemplo. Estes não querem envolvimento com o presidente.

Por outro lado, há agremiações que dão apoio ao presidente, como o Republicanos e o próprio PL, que agora abriga Bolsonaro.

Uma sinalização clara de Ratinho em relação a Bolsonaro ou a Moro poderia ter efeitos sobre essas alianças, segundo líderes partidários ouvidos pelo UOL.

Terceiro presidenciável

O palanque de Ratinho ainda terá mais do que Moro e Bolsonaro como presidenciáveis. O PSD, partido do governador, pretende que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, seja candidato ao Planalto.

Entre os políticos, porém, há apostas de que, no final, o PSD deve se aliar a alguma outra candidatura, sendo a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma das prováveis.

"Administrável"

Para Alvaro Dias, a aliança estadual não afetaria a candidatura nacional porque "isso ocorrerá em praticamente todos os estados". "Então isso é administrável. Não há uma verticalização de aliança no Brasil. A aliança nacional nem sempre se repete nos estados."

Nos bastidores, outro nome é especulado como possibilidade de ser candidato ao Senado na aliança de Ratinho, o de Guto Silva (PSD), secretário-chefe da Casa Civil paranaense.

Líderes de agremiações da aliança de Ratinho, porém, dizem que ainda é cedo para se tomar uma decisão já sobre alianças. Antes, as atenções deverão ficar concentradas nos movimentos de partidos sobre federações, o que irá se desenrolar ao longo do primeiro trimestre do ano que vem e poderá mudar as peças do xadrez político.