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7 meses

Fui vacinado porque precisava viajar, diz líder do governo Bolsonaro

Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro, diz que apenas se vacinou contra a covid-19 porque precisava viajar; especialistas refutam tese da "imunidade natural" - Agência Senado
Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro, diz que apenas se vacinou contra a covid-19 porque precisava viajar; especialistas refutam tese da "imunidade natural" Imagem: Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

20/12/2021 08h16Atualizada em 20/12/2021 08h33

Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, minimizou a eficácia das vacinas contra a covid-19 e afirmou que apenas tomou o imunizante porque precisava viajar. Em entrevista ao jornal O Globo, o deputado argumentou, de forma equivocada, que tem imunidade desde que se infectou pelo coronavírus.

O discurso de Ricardo Barros repete as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL), que se posicionou contra a vacinação, comprou vacinas com atraso e disse que a covid-19 é "uma gripezinha". A doença matou mais de 617 mil pessoas no Brasil.

"Eu fui vacinado, porque eu tinha necessidade de viajar e precisava do comprovante", afirmou Barros em entrevista ao jornal O Globo. O passaporte vacinal é um documento que comprova que a pessoa tomou, pelo menos, uma dose da vacina e é cobrado para acesso em locais fechados e para a entrada em outros países, por exemplo.

Questionado se tomaria o imunizante caso não precisasse viajar, o deputado federal disse: "Acho que não".

Eu peguei covid-19 e eu tenho no meu exame a prova da minha imunidade. As pessoas que pegam covid-19 têm anticorpos contra a doença.
Deputado federal Ricardo Barros diz que tem imunidade contra a covid-19

O argumento de "imunidade natural" não encontra respaldo na ciência. Há um consenso entre os especialistas de que a vacinação é importante mesmo para quem já teve covid-19.

Em junho, uma nota técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do governo federal, desmente a alegação repetida por Bolsonaro e aliados de que, quem já teve a doença, tem mais anticorpos do que quem tomou a vacina.

Na nota técnica 33/2021, a Anvisa alertou que "ainda não há embasamento científico que correlacione a presença de anticorpos contra o SARS-Cov-2 [vírus da covid] com a proteção à reinfecção".

Na prática, a queda de casos graves e mortes no Brasil ocorreu devido à vacinação— indicando que a resposta imune estimulada pela vacinação funciona e não depende apenas de anticorpos. A vacina também é a peça-chave para conter a circulação do vírus e evitar o surgimento de novas variantes.

Proteção natural é arriscada

Declarações de Bolsonaro e de aliados neste sentido já foram desmentidas pelo UOL Confere em outras ocasiões (veja aqui, aqui e aqui). As alegações do presidente sugerem a tomada de riscos desnecessários em um momento em que existem vacinas que passaram por testes de segurança e eficácia. Há evidências da proteção conferida pelos imunizantes e dos perigos de se confiar em uma proteção natural no lugar da vacinação.

O CDC, órgão sanitário dos Estados Unidos, divulgou um estudo que atesta maior proteção conferida pela vacina do que por infecção do vírus. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alerta que o risco de morrer na tentativa de se obter a imunidade pelo contágio é muito maior do que para quem se imunizou por meio da vacina.

"Mesmo que a ciência venha a mostrar que a proteção natural de fato é melhor, nós não devemos buscar a proteção natural. Buscar a proteção natural, na totalidade dos indivíduos, ao invés da proteção da vacina, vai expor muitas pessoas a um risco de morrer pela covid, e isso é inadmissível quando você tem uma vacina que é capaz de proteger", disse a infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em recente entrevista ao UOL Confere.

Lula e Bolsonaro não devem se atacar no 1º turno

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, também diz não ver motivos para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro se "ataquem" no 1º turno das eleições presidenciais de 2022.

Segundo Barros, não haverá consenso para uma candidatura da terceira via. "A terceira via depende do espaço que ela tiver para crescer. Lula e Bolsonaro não têm motivos para se atacar no primeiro turno. Se houver uma equação racional de conduta das campanhas, não vejo como a terceira via superar Lula e Bolsonaro".

De acordo com a pesquisa do Instituto Datafolha, publicada há quatro dias, Lula venceria a corrida presidencial de 2022 no 1º turno com 48% dos votos válidos. Bolsonaro, em segundo lugar, tem 22% dos votos.

A entrada do ex-juiz Sergio Moro (Podemos) na disputa, por sua vez, embolou a chamada terceira via. Veja:

  • 9% de Moro
  • 7% do ex-governador Ciro Gomes (PDT)
  • 4% do governador paulista, João Doria (PSDB)

Entre os entrevistados pelo Datafolha, 8% afirmaram que votarão em nulo, branco ou ninguém. Outros 2% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Ao comentar as últimas pesquisas eleitorais, que apontam ampla vantagem do ex-presidente Lula, o deputado Ricardo Barros defende que o momento eleitoral em 2022 "será totalmente diferente".

"Nossos problemas até agora eram economia, pandemia, as pessoas com medo de pegar covid e morrer. Daqui a um ano, vamos estar discutindo a inflação, que me parece será o tema que vai perseverar. A avaliação do governo vai estar sendo feita sobre outros parâmetros", disse ele ao Globo.

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