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Moro diz que Bolsonaro não combate corrupção: 'Quer entregar poder ao Lula'

Pré-candidato às eleições de 2022, o ex-ministro Sergio Moro diz que Bolsonaro "desmantelou" combate à corrupção - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Pré-candidato às eleições de 2022, o ex-ministro Sergio Moro diz que Bolsonaro 'desmantelou' combate à corrupção Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

11/01/2022 10h42Atualizada em 11/01/2022 11h56

Sergio Moro (Podemos), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), disse hoje que o presidente "desmantelou" o combate à corrupção e que ele é o responsável pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral.

Em entrevista à Rádio Metropole, da Bahia, Moro afirmou que um dos motivos para aceitar o cargo de ministro da Justiça foi "para evitar maluquices" por parte de Bolsonaro. "Teve gente que falou: 'Foi um alívio você ir para o governo porque protege as pessoas de excessos e da arbitrariedade do presidente".

Moro deixou o cargo em abril de 2020 após acusar o presidente de interferir na Polícia Federal.

"Se eu tivesse ido pelo poder, estaria lá até hoje como ministro, não estaria sofrendo ataque de apoiadores [de Bolsonaro], que são enganados com mentiras", afirmou Sergio Moro.

A gente sabe que esse governo desmantelou o combate à corrupção, a gente sabe que esse governo quer entregar o poder ao Lula de novo. Ele [Bolsonaro] é o principal responsável pelo Lula ter voltado porque esse governo é um fracasso.
Ministro da Justiça, Sergio Moro, critica o governo Jair Bolsonaro

Moro diz que está sendo atacado, desde que anunciou sua pré-candidatura, porque adversários políticos têm medo de seu projeto de combate à corrupção. "Não querem que privilégios sejam cortados".

O ex-ministro diz que, no primeiro dia de um possível governo, apresentaria projeto para o fim da reeleição. Ele também comentou sobre o foro privilegiado: "Chega de tratar político como alguém superior. Não tem justificativa para dar esse privilégio".

Ao deixar o cargo no governo Bolsonaro, o ex-juiz da Operação Lava Jato explicou que percebeu "progressivamente" que o presidente não apoiava suas pautas quando estava no Ministério da Justiça e classificou a atitude de Bolsonaro como uma "sabotagem" ao seu trabalho.

Bolsonaro e Lula têm medo, diz Moro

Moro ainda diz que Bolsonaro e Lula têm medo de disputar às eleições de 2022 contra ele e, por isso, espalham mentiras. Segundo a pesquisa eleitoral PoderData, divulgada em 22 de dezembro, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Bolsonaro (30%) e Sergio Moro, com 7%.

"Essa história de que prestei serviço para Odebrecht é totalmente mentirosa. Bolsonaro e Lula ficam disseminando mentiras porque têm medo da minha pré-candidatura", afirmou.

Em novembro de 2020, Moro assinou contrato com uma consultoria de gestão de empresas que atende a Odebrecht. Segundo o ex-ministro, ele pediu uma cláusula em seu contrato para não atuar com empresas envolvidas na Operação Lava Jato.

Investigada, a Odebrecht assinou um acordo bilionário para cooperar com as investigações a partir de 2016. Enquanto juiz federal em Curitiba, em junho de 2015, Moro ordenou a prisão do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, em uma das fases da Lava Jato.

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