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Ministra de Bolsonaro nega anistia a deputado militante contra a ditadura

Deputado Ivan Valente teve seu pedido de anistia recusado pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos - Lúcio Bernardo Jr / Câmara dos Deputados
Deputado Ivan Valente teve seu pedido de anistia recusado pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos Imagem: Lúcio Bernardo Jr / Câmara dos Deputados

Pedro Paulo Furlan

Do UOL, em São Paulo

01/07/2022 16h41Atualizada em 01/07/2022 16h41

Deputado federal do PSOL de São Paulo, Ivan Valente teve, hoje, a rejeição de seu pedido de anistia oficializada pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, responsável pela Comissão da Anistia. Essa divulgação vem depois do Conselho dessa mesma comissão ter rejeitado, em abril, pedidos do político e de Dilma Rousseff (PT) por indenizações.

De acordo com comunicado da ministra Cristiane Britto, cabeça da pasta desde saída de Damares Alves, a anistia foi negada "considerando o resultado do parecer proferido na 2ª Sessão do Conselho da Comissão de Anistia". O pedido, protocolado em 2015, vem devido a prisão, perseguição e tortura sofridas por Valente durante os anos da ditadura militar brasileira.

O deputado federal foi militante do movimento estudantil durante os anos de chumbo. Perseguido pelo governo militar desde jovem, foi dirigente do MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado) e participou da fundação do PT, atuando como político da sigla até se filiar ao PSOL.

Ao UOL, a equipe do deputado federal afirmou que esse não foi um novo julgamento, mas, sim, a oficialização dos resultados do conselho em abril. Em resposta, eles estarão entrando com recurso e outras medidas jurídicas possíveis.

"Não se trata de um novo julgamento. A partir de agora entraremos com recurso e avaliaremos a possibilidade de outras medidas jurídicas", informaram.

Além disso, também criticaram a decisão, conectando ela com negacionismo do período da ditadura militar. No governo atual, de Jair Bolsonaro (PL), já ocorreram casos de admiração a nomes proeminentes da ditadura, por exemplo.

"Nosso posicionamento político em relação a isso é que essa comissão é uma mera extensão do negacionismo manifestado pelo governo atual. Que nega a existência da ditadura, da tortura e das mortes no período de exceção no país".

O UOL entrou em contato com o ministério, em busca de posicionamentos. A nota será atualizada em caso de manifestação.

Em abril, Bolsonaro ironizou rejeição da indenização de Valente e Dilma

Em transmissão ao vivo, Jair Bolsonaro (PL), atual presidente, reagiu à recusa de indenização para os políticos de esquerda. Afirmando que Dilma "perdeu" e que Valente "gosta de uma grana", ele não citou a tortura ou perseguição que a ex-presidente e o deputado sofreram.

"Dilma Rousseff, perdeu! Quem sabe lá na frente, quando algum esquerdista voltar ao poder, espero que não aconteça, você receba", declarou o presidente em live nas redes sociais.

Continuando: "Ivan Valente gosta de uma grana. Tentou pegar mais uma graninha do Estado com as barbaridades que fez no passado".

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