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PGR quer ouvir ex-presidentes da Petrobras e do BB sobre Bolsonaro

Ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco - Fernanda Frazão/Agência Brasil
Ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco Imagem: Fernanda Frazão/Agência Brasil

Paulo Roberto Netto

do UOL, em Brasília

04/07/2022 16h56Atualizada em 04/07/2022 17h01

A PGR (Procuradoria Geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda-feira (4) para que sejam tomados os depoimentos dos ex-presidentes da Petrobras, Roberto Castello Branco, e do Banco do Brasil, Rubem Novaes, sobre mensagens trocadas que indicariam suposta interferência de Bolsonaro na estatal.

A manifestação foi assinada pela vice-procuradora-geral Lindôra Araújo e encaminhada ao ministro Roberto Barroso, relator de um pedido de investigação apresentado na semana passada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede).

No documento, Lindôra aponta que os elementos trazidos pelo parlamentar não são suficientes, no momento, para a abertura de um inquérito formal. "Todavia, o diálogo mantido e de teor não negado pelos interlocutores suscita maiores esclarecimentos que podem nortear providências investigativas não açodadas ou temerárias".

Destarte, para melhor compreender os fatos trazidos aos autos, faz-se necessária a prestação de informações complementares a fim de formar um acervo minimamente seguro para o posicionamento do Ministério Público a respeito da possibilidade de instauração de uma investigação criminal com alguma plausibilidade probatória e empiricamente justificável."
Lindôra Araújo, vice-procuradora-geral da República

Primeiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro, Castello Branco disse a Novaes em um grupo de economistas que tinha mensagens que poderiam incriminar o presidente, mas que devolveu seu antigo celular corporativo ao deixar o cargo.

"No meu celular corporativo tinha mensagens e áudios que poderiam incriminá-lo. Fiz questão de devolver intacto para a Petrobras", escreveu. As conversas foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

"Se eu quisesse atacar o Bolsonaro não foi e não é por falta de oportunidade (sic). Toda vez que ele produz uma crise, com perdas de bilhões de dólares para seus acionistas, sou insistentemente convidado pela mídia para dar minha opinião. Não aceito 90% deles [dos convites] e quando falo procuro evitar ataques", continuou.

Castello Branco será questionado em depoimento sobre quais mensagens e áudios em seu antigo celular corporativo poderiam "incriminar" Bolsonaro e quais as datas, circunstâncias e contexto em que foram enviadas ou recebidas. O ex-presidente da Petrobras também deverá dar explicações sobre por quais motivos não apresentou as informações às autoridades competentes quando teve oportunidade.

Rubem Novaes, por sua vez, deverá explicar o seu histórico de contato com Castello Branco, a natureza da conversa travada entre os dois e se conhece ou sabe detalhar quais mensagens e supostos fatos delitivos foram citados pelo ex-presidente da Petrobras.

Ao mover a ação contra Bolsonaro, Randolfe apontou ao Supremo que a troca de diálogos demonstraria interesse do presidente em "interferir na Petrobras em detrimento da boa tutela do interesse e do patrimônio públicos", com objetivo meramente eleitoral.

O UOL busca contato com a defesa de Roberto Castello Branco e Rubem Novaes. O espaço está aberto às manifestações de ambos.

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