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Política

Não é uma eleição fácil e não está ganha, diz Lula

Do UOL, em São Paulo

05/08/2022 13h50Atualizada em 05/08/2022 14h44

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse hoje (5) que a eleição presidencial —que ocorre em outubro— "não está ganha". Ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos —na última edição da Datafolha, com 18 pontos à frente de Jair Bolsonaro (PL)— e sua equipe lançou mão de estratégias para tentar vencer no primeiro turno.

"Sei que não é uma eleição fácil, não é uma eleição que já está ganha. Se vocês quiserem mudar esse país temos 59 dias, que a gente não pode descansar um dia", afirmou Lula. O ex-presidente participou de evento na Liberdade, no centro de São Paulo, com profissionais da saúde pela defesa do SUS (Sistema Único de Saúde).

Como fez em outros discursos, o petista disse que não "falta experiência" para ele, nem para seu vice, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), tirar o Brasil "desse lamaçal e colocar outra vez no berço da democracia". Alckmin foi filiado ao PSDB e é bem visto entre o público mais conservador.

Lula citou que o serviço de saúde pode ser dividido em antes e depois da pandemia de covid-19 —nesse momento, aproveitou para criticar o governo Bolsonaro. "Muitos adoeceram, e outros tantos, infelizmente, perderam suas vidas nessa luta, diante da negação da ciência e da omissão criminosa desse desgoverno."

Ele ainda reclamou que as agências reguladoras foram enfraquecidas pelo atual governo e, indiretamente, falou de interferências do presidente. "Muitas vezes a gente cria uma agência para ela facilitar e quando o cidadão toma posse, ele acha que manda mais que o ministro, acha que manda mais do que o governo."

Teto de gastos

Lula voltou a criticar o teto de gastos dizendo que o modelo foi criado para "tirar dinheiro dos pobres para dar aos ricos". "Não é nenhuma bravata, não sou de rasgar nota de 10, mas não terá teto de gasto em lei no nosso país", garantiu o ex-presidente, caso venha se eleger.

O teto de gastos foi sancionado por Michel Temer (MDB) em 2016 e determina que o gasto máximo que o governo pode ter é equivalente ao Orçamento do ano anterior.

"Se nada for feito, a manutenção desse crime continuado acabará por inviabilizar completamente o SUS, abrindo as portas para a privatização da saúde", argumentou. A legislação do teto entrou em vigor em 2017 e prevê uma duração de 20 anos.

Apoio de olho no primeiro turno

Ontem (4), o deputado federal André Janones (Avante) retirou sua candidatura ao Planalto e afirmou que vai apoiar Lula. O petista disse que ele vai ajudar a escrever o programa de governo. Com Janones, a equipe petista espera reverter os votos do ex-candidato —que tinha apenas 1% no Datafolha— e incrementar o engajamento nas redes sociais.

A campanha anunciou ainda adesão à chapa do Agir (antigo PTC), por meio do presidente Daniel Tourinho, que participou da reunião com Lula e Janones.

Com isso, a aliança chegou a nove partidos. São eles: PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, Rede, Solidariedade, Avante e Agir. O Pros também chegou a confirmar apoio à chapa do petista, mas enfrenta uma briga interna —que chegou à Justiça.

Para o PT, a lógica é simples: quanto mais candidatos desistirem, maior a possibilidade de Lula puxar votos —se eles se engajarem na campanha, como Janone. Para vencer na primeira etapa das eleições, o petista precisa ter um voto a mais que a soma dos demais concorrentes.

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