Usuários criam contas fakes de Bolsonaro no aplicativo Koo: 'Peguei seu @'
Usuários estão criando contas fakes com o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL) na nova rede social indiana Koo, que está bombando entre brasileiros em meio à crise no Twitter, comprado pelo bilionário Elon Musk. A iniciativa visa dificultar a entrada de Bolsonaro e de outros políticos bolsonaristas no site, forçando-os a acharem outro nome de usuário disponível, caso desejem entrar na plataforma.
No aplicativo, lançado na Índia em 2020, o user "@jairbolsonaro" — já usado pelo chefe do Executivo no Twitter —, foi cadastrado por um jovem que se intitula como Josis e se descreve como "anti-Bolsonaro, estudante de arquitetura e muuuuito gostoso".
Na publicação fixada no perfil, o jovem escreve: "Ex-presidente peguei seu @ porque você não é bem-vindo aqui, ok". O post foi curtido por 34 pessoas e 16 comentários. O rapaz já é seguido por 612 pessoas e segue outros 156 perfis.
Outro internauta, que não preferiu se identificar, cadastrou na rede social o user "@jairmessiasbolsonaro", usado pelo político no Instagram. Diferente do primeiro jovem, essa conta tem apenas o nome "Jair Biroliro", é seguida por uma pessoa e não tem nenhuma publicação. Mais um perfil, com o user "@jairmboIsonaro" tem a descrição "Presidente KKKKKKK".
A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) também está entre os políticos que tiveram contas fakes criadas na rede social indiana. O user "@CarlaZambeIIi" tem uma postagem na conta com os dizeres irônicos: "O comunismo vencerá!". Zambelli está suspensa de todas as redes sociais em razão de uma decisão judicial.
O nome da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) já consta no site em uma conta fake com o user "@biakicis", o mesmo que ela usa no Twitter. A conta, com o nome "a donah", tem uma foto com a frase "Bolsonaro genocida" e a descrição "prezando por um site sem minions".
"Minions" é a forma que algumas pessoas da oposição usam para se referir pejorativamente a apoiadores do presidente Bolsonaro.
O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filhos do presidente, também tiveram perfis fakes criados na plataforma Koo. A reportagem ainda encontrou um perfil com o user "@lulapresidente2023", a foto do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a descrição: "Presidente Lula ladrão roubei seu coração".
O UOL tenta contato com a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social). A nota será atualizada em caso de retorno.
A assessoria de Carla Zambelli disse ao UOL que a parlamentar "não abriu nenhuma conta na rede social semelhante ao Twitter, Koo". "Os perfis da plataforma que levam seu nome são falsos e as fotos que estampam as contas foram usadas sem o seu consentimento. A deputada acredita que alguém quis fazer graça, já que em uma das contas há uma postagem escrita 'o comunismo vencerá'", completou.
Já a assessoria de Bia Kicis informou ao UOL que a "parlamentar não vai se manifestar".
O que é o Koo?
O aplicativo foi criado na Índia há dois anos em meio a tensões do governo de Narenda Modi com o Twitter, na época acusado de favorecer detratores do governo.
O Koo oferece um design parecido com o do microblog comprado por Musk. A estratégia inicial da plataforma era ser utilizada por indianos que falam um dos 19 idiomas oficiais do país (não só o inglês). E, ao mesmo tempo, se aproveitar de turbulências no Twitter para crescer.
Em 2021, por exemplo, a rede social entrou rapidamente na Nigéria quando o Twitter foi suspenso no país africano.
De acordo com o site Zeenews, o Koo anunciou na última quarta-feira (18) que se tornou o segundo maior microblog disponível no mundo. A estimativa mais recente aponta que a rede social já tenha chegado a 50 milhões de usuários.
A startup responsável por seu desenvolvimento tem 200 funcionários e já levantou US$ 200 milhões de alguns investidores, incluindo empresas norte-americanas, de acordo com a imprensa estrangeira.
Agora, com as instabilidades do Twitter, a plataforma ataca novamente: além de já trazer suporte para o inglês, o serviço promete que vai funcionar em mais idiomas em breve, inclusive em português.
*Com Gabriel Dias, em colaboração para Tilt, em São Paulo
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