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Com quase 400 requerimentos, CPI do 8/1 foca em depoimentos de militares

O general Augusto Heleno, ex-chefe do GSI, é um dos convocados na CPMI - 13.abr.2019 - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O general Augusto Heleno, ex-chefe do GSI, é um dos convocados na CPMI Imagem: 13.abr.2019 - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Mariana Desidério e Marina Sabino

Do UOL, em São Paulo e Colaboração para o UOL, em Brasília

27/05/2023 19h30

A CPMI do 8 de janeiro já tem quase 400 requerimentos protocolados.

O que aconteceu

Dentre os requerimentos, há 244 pedidos de convocação e 47 pedidos de quebra de sigilo (telefônico, telemático, bancário ou fiscal). Alguns pedidos se repetem. O ex-ministro Augusto Heleno, por exemplo, é alvo de mais de um requerimento que solicita sua convocação.

Os militares são os principais alvos dos requerimentos. Além de Heleno, há pedidos de convocação para outros militares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice, o coronel Elcio Franco, que atuou no Ministério da Saúde na gestão Pazuello, e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que está preso por suspeita de falsificação na carteira de vacina do ex-presidente.

O general Gonçalves Dias, que foi demitido por Lula do GSI em abril, também deve ser ouvido.

O ministro da Justiça Flávio Dino (PT) também é convocado, assim como Anderson Torres, ex-secretário da Segurança Pública do Distrito Federal. Torres ficou quatro meses preso por suposta omissão nos atos golpistas do dia 8 de janeiro. Há também solicitações para que a comissão tenha acesso à íntegra das imagens das câmeras de seguranças do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.

O senador Izalci Lucas, do PSDB, foi o que mais fez pedidos até agora, com 82 requerimentos. A deputada Duda Salabert, do PDT, vem em segundo lugar com 50 pedidos. O deputado Alexandre Ramagem, do PL, ex-chefe da Abin e aliado de Bolsonaro, vem em terceiro, com 48 pedidos.

A CPMI dos atos golpistas

A primeira reunião da CPMI do 8 de janeiro ocorreu na quinta-feira (25). O deputado federal Arthur Maia (União Brasil-BA) foi eleito presidente da CPI das invasões às sedes dos Poderes em 8 de janeiro. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) ficou com a relatoria. O senador Cid Gomes (PDT-CE) virou o vice-presidente.

O próximo passo é a relatora ler seu plano de trabalho e indicar quais serão as linhas de investigação a serem seguidas. Ao fazer o primeiro discurso, Eliziane lembrou que as mulheres não tinham nenhuma vaga no começo da CPI da Covid e hoje ocupam a relatoria de uma comissão de muita visibilidade. O nome de Eliziane Gama foi criticado pela oposição.

Existe expectativa de embates na comissão. Primeira pessoa a pedir a palavra, o senador Marcos do Val tomou uma bronca do presidente da reunião, senador Otto Alencar (PSD-BA). Ele estava interrompendo os demais integrantes da comissão. "Aqui não é delegacia de polícia. O senhor se comporte como senador", afirmou Otto.

Mesmo sem o início dos trabalhos, o governo já defende que a CPI seja curta. O prazo inicial é de 120 dias, mas pode haver prorrogação. Antes da primeira reunião, o líder do PT na Câmara, deputado Zeca Dirceu (PR), declarou que o país tem necessidades mais urgentes. "Prioridade é gerar emprego, tirar o Brasil do mapa da fome", disse.