Lula defende Dino e Gonet: 'As melhores pessoas que eu podia indicar'

O presidente Lula (PT) defendeu hoje as escolhas do ministro Flávio Dino e do subprocurador-geral Paulo Gonet para o STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República), respectivamente, como "as melhores pessoas que poderia indicar".

O que Lula disse

Os nomes foram divulgados na última segunda (27) depois de dois meses de espera e ambos foram questionados, inclusive, por setores de esquerda. Para o STF, havia uma pressão para que Lula indicasse uma mulher, enquanto Gonet desagradou aliados por ser considerado um perfil "conservador".

Em viagem à Arábia Saudita, o presidente falou pela primeira vez sobre as escolhas e dispensou os questionamentos. "Eu acho que são duas pessoas qualificadas, altamente qualificadas", afirmou Lula.

Ministro da Justiça e ex-magistrado, Dino foi indicado para a cadeira de Rosa Weber, aposentada em setembro. Com a segunda indicação de um homem por Lula, depois de Cristiano Zanin, a ministra Cármen Lúcia agora se torna a única representante mulher da Suprema Corte.

Gonet ocupa o lugar de Augusto Aras, ex-PGR indicado por Jair Bolsonaro (PL), que não foi reconduzido ao cargo. Católico, conservador e considerado comedido em suas posições, é também o vice-procurador-geral eleitoral.

Desafio no Senado

Lula fez também um apelo para que os nomes sejam aprovados em sabatina no Senado. O senador Davi Alcolumbre, presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), anunciou que a de Gonet será no dia 12 de dezembro e a de Dino, no dia seguinte, 13.

Eu espero que o Senado estude, analise os nomes deles, faça o debate que quiser fazer e espero que os dois sejam indicados, porque, assim, se eu não fizesse agora, eu não teria tempo de colocar em debate antes do encerramento das atividades do Congresso Nacional.
Lula, sobre sabatinas

Tradicionalmente, os nomes enviados pelo presidente são aprovados, mas o Senado rejeitou a indicação de Lula à DPU (Defensoria Pública da União) no final de outubro, o que acendeu um alerta no governo.

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Aliados do governo no Senado, porém, acreditam que ambos terão os nomes aprovados. A avaliação é que Gonet passará pelo crivo dos senadores "com tranquilidade", já Dino terá um desgaste maior por conta da oposição.

Dino deverá ser questionado em especial pelas ações à frente do ministério neste ano e, segundo senadores da base aliada, precisará evitar o tom de "deboche" adotado nas vezes em que compareceu em comissões do Congresso.

Dino e Gonet já foram ao Senado nesta manhã para dialogar com os parlamentares. Em aceno à oposição, que é contra seu nome pela filiação a partidos de esquerda, o indicado ao STF disse que ministros da Corte não têm "partido, ideologia ou lado político".

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