Sabesp: Justiça decreta prisão preventiva de manifestantes presos na Alesp

O estudante Hendryll Luiz, 22, e o professor Lucas Borges Carvente, 26, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça após serem detidos durante votação sobre a privatização da Sabesp na Alesp ontem (6).

O que aconteceu

Quatro pessoas foram detidas após a confusão. Além de Hendryll e Carvente, foram presos o metroviário Ricardo Senese, 36, e Vivian Mendes da Silva, 42. Ela é presidente estadual da Unidade Popular em São Paulo e foi candidata ao senado em 2022. Ricardo e Vivian vão responder em liberdade

Eles vão responder por três crimes. São eles: desobediência (por não terem acatado a ordem policial de não avançarem), resistência (por terem avançado sobre PMs que tentavam esvaziar a galeria) e associação criminosa, por terem se unido com o objetivo de não esvaziar a galeria.

Deputados pedem anulação da votação à Justiça. Em mandado de segurança protocolado hoje (7), os membros do PSOL na Alesp dizem que toda a discussão relativa à privatização foi inconstitucional. Outros integrantes da oposição afirmam que não puderam votar por causa do gás de pimenta usado pela polícia no plenário.

Dezenas de pessoas precisaram receber atendimento médico, segundo a Unidade Popular. Procurada, a Alesp não confirmou o número de pessoas atendidas no posto de saúde que funciona dentro do prédio. O boletim de ocorrência do caso registra ainda que dois PMs foram atacados e sofreram cortes na cabeça.

Polícia pediu imagem das câmeras para identificar mais manifestantes. O objetivo é saber quem danificou objetos da Alesp para indiciar por crime de dano ao patrimônio público.

Bolsonaristas apontam sangramentos forjados, mas manifestantes negam

Vídeo em que batom líquido é usado para forjar ferimentos foi compartilhado por deputados da situação. Na gravação, uma pessoa passa a substância no braço de outra — que diz que o batom foi usado por manifestantes "para fingir que é sangue". O piso acarpetado ao fundo é parecido com o do auditório do plenário da Alesp.

Grupos que acompanhavam o ato negam o uso do batom líquido e dizem que a hipótese é "absurda e desrespeitosa". Eles lembram que, entre 18h30 e 19h de quarta, policiais militares usaram de violência para conter manifestantes que protestavam contra a privatização da Sabesp no plenário da assembleia.

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Aprovada por deputados, privatização da Sabesp vai para sanção de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A meta do governo paulista é reduzir tarifa para os mais pobres com a privatização. Mas críticos da proposta afirmam que o texto não detalha como isso será feito e, na prática, representa "cheque em branco" para governador.

O que dizem os envolvidos

Os quatro indiciados agrediram os policiais, além de danificar o mobiliário da Alesp. A autoridade policial compareceu ao local e requisitou perícia para constatação dos danos.
Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota

A Unidade Popular e os demais trabalhadores e trabalhadoras que se manifestaram ontem estavam defendendo a opinião da maioria da população. Além disso, manifestar é um direito legitimo e democrático e usar a força desproporcional da policia para calar o povo é covarde e antidemocrático
Unidade Popular, em nota

O plenário e os corredores da Alesp ficaram tomados por gás de pimenta, seria impossível entrar sem colocar em risco a minha saúde, a da minha filha, e a saúde de outros parlamentares. Na prática, eu e outros fomos impedidos de exercer nosso direito de participação
Paula Nunes (PSOL), deputada estadual que está grávida

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