Conteúdo publicado há 2 meses

Heleno ficou 'atônito' após Aeronáutica rejeitar golpe, diz ex-chefe da FAB

O tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Júnior, comandante da Aeronáutica no governo Bolsonaro, disse à Polícia Federal que Augusto Heleno, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ficou "atônito" após ouvir que a Força Aérea Brasileira não participaria de um golpe de Estado.

O que aconteceu

Baptista Júnior diz que "afirmou de forma categórica ao general Heleno que a Força Aérea Brasileira não anuiria com qualquer movimento de ruptura democrática". O ex-comandante da Aeronáutica prestou depoimento à PF no dia 17 de fevereiro.

O tenente-brigadeiro disse que a conversa aconteceu em 16 de dezembro de 2022. Na ocasião, Heleno teria pedido para voltar a Brasília no avião da FAB por causa de uma reunião urgente convocada por Bolsonaro para o dia seguinte. Os dois participavam de uma cerimônia de formatura no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica).

Formatura do neto. O ex-comandante da Aeronáutica teria perguntado ao general se ele ponderou a Bolsonaro que o neto do ex-chefe do GSI se formava naquele dia, mas Heleno disse que a reunião foi mantida mesmo assim.

Então, os dois teriam ido a uma sala reservada, onde Baptista Júnior deixou claro o posicionamento contra o suposto plano de golpe. "Por não ter sido convidado para a referida reunião, solicitou ao general Heleno que reafirmasse ao então presidente, Jair Bolsonaro a posição do depoente e da Aeronáutica".

Segundo o depoimento à PF, "Heleno ficou atônito e desconversou sobre o assunto com o depoente". A reportagem não conseguiu contato com Augusto Heleno por um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.

Prisão de Bolsonaro

Exército prenderia ex-presidente. O ex-comandante da Aeronáutica ainda afirmou à PF que o ex-comandante do Exército Freire Gomes chegou a avisar que prenderia Bolsonaro caso ele tentasse colocar em prática um golpe.

Baptista Júnior também disse que, se Freire Gomes tivesse concordado, um golpe teria sido consumado para impedir a posse de Lula (PT).

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Nos depoimentos à PF, os ex-comandantes da FAB e do Exército negam participação na trama. Segundo eles, o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e o ex-chefe da Marinha Almir Garnier Santos teriam apoiado o plano de golpe.

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