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Sakamoto: Votos para soltar Chiquinho Brazão criaram Bancada da Milícia

O número expressivo de votos favoráveis à soltura de Chiquinho Brazão, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, comprova a criação de uma Bancada da Milícia na Câmara dos Deputados, afirmou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News desta quinta (11).

O voto em defesa do acusado de mandar matar Marielle cria a Bancada da Milícia na Câmara dos Deputados. Foi um voto que, despudoradamente, ajudou uma pessoa envolvida abertamente nesse tipo de crime.

Essa bancada nasce grande na Câmara. Apesar de terem sido 129 votos, mas são mais de 200 se somarmos quem votou pela libertação de Chiquinho Brazão com aqueles que se abstiveram e os ausentes. É muita gente; quase a metade da Câmara.

Foram 277 a favor, sendo que eram necessários 257. Foi por vinte votos que a Câmara não se jogou naquele alçapão que existe no fundo do poço. Temos que celebrar, mas passou raspando por conta de uma ação direta da Bancada da Milícia. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

Embora a prisão de Brazão tenha sido mantida, Sakamoto avaliou que a votação apertada gera preocupações, sobretudo quanto à reação dos eleitores aos deputados favoráveis à libertação de Brazão.

O bolsonarismo e setores do centrão tentaram vender a ideia de que não seria um voto pelo Brazão ou pela liberdade individual, mas de protesto contra o STF e Alexandre de Moraes, relator do caso, ir contra o pensamento de que o Judiciário manda no Legislativo e mandar um recado para o Planalto. Na verdade, os principais recados deles foram para a sociedade.

Há várias consequências disso. Diversos nomes que votaram pela soltura do Brazão serão candidatos em 2026. Como o eleitor responderá ao fato de que eles votaram pela soltura de alguém acusado de um crime bárbaro e entender que alguém que posta 'bandido bom é bandido morto', na hora do vamos ver, coloca que 'bandido bom é bandido solto'?

Se fosse um deputado acusado de assassinar ou mandar matar um desconhecido, ele teria sido liberado, sem dúvida alguma. Mas havia uma Marielle no meio do caminho. É um crime de repercussão tão grande que uma parte significativa do Congresso disse 'vai dar problema para mim'. Lira, Elmar [Nascimento, líder do União Brasil na Câmara] e o bolsonarismo ficaram a ver navios. Mas passou muito perto. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

O que aconteceu

Por 277 votos a 129, e com 28 abstenções, o plenário da Câmara aprovou a manutenção da prisão de Chiquinho Brazão. O PL orientou sua bancada a votar pela revogação, enquanto membros do centrão articularam pela derrubada da detenção.

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