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Coronavírus na Itália: 'Temos que decidir quem salvar', diz médico

9.mar.2020 - Homem usando máscara caminha em Turim, no norte da Itália; país é o mais atingido da Europa pelo coronavírus - Massimo Pinca/Reuters
9.mar.2020 - Homem usando máscara caminha em Turim, no norte da Itália; país é o mais atingido da Europa pelo coronavírus Imagem: Massimo Pinca/Reuters

Do UOL, em São Paulo

09/03/2020 13h33

Um médico na Itália contou que o surto de coronavírus no país tem feito com que os profissionais da saúde tenham que "decidir a quem salvar, como em uma guerra". A Itália é o país da Europa mais atingido pelo vírus. Até ontem, haviam sido registrados mais de 5 mil casos de covid-19, com 233 mortes.

"Se decide por idade e condições de saúde. Como em todas as situações de guerra", explicou Christian Salaroli, de 48 anos, em entrevista ao jornal Corriere della Sera.

Questionado se não se incomoda em ser o "árbitro da vida e da morte de um ser humano", Salaroli respondeu que "por enquanto, dorme à noite."

"Porque eu sei que a escolha é baseada na suposição de que alguém, quase sempre mais jovem, tem mais chances de sobreviver do que o outro. Pelo menos, é um consolo", acrescentou.

O médico disse que a carga de trabalho e a emocional diante da epidemia são "devastadoras". "Vi enfermeiras com trinta anos de experiência chorando", lembra.

Salaroli pediu ainda que as pessoas não saiam de casa. "Não me canso de repetir. Eu vejo muitas pessoas na rua. A melhor resposta para esse vírus não é sair por aí. Você não imagina o que está acontecendo aqui. Fique em casa."

A Itália praticamente sitiou a sua rica região norte ontem, inclusive Milão, capital financeira, numa tentativa de conter o surto crescente de coronavírus no país. As restrições buscam limitar aglomerações e a movimentação de pessoas — aproximadamente 16 milhões estão sendo atingidas.

Antonio Pesenti, chefe da unidade de resposta à crise na Lombardia, afirmou ao jornal Corriere que o sistema de saúde na Lombardia estava "a um passo de entrar em colapso" porque as instalações de tratamento intensivo estão cada vez mais pressionadas pelos novos casos.

* Com Reuters

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