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Coronavírus: UE desaprova decisão de Trump; França teme efeito no turismo

Mulher caminha de máscara Crepy-en-Valois, norte da França - FRANCOIS NASCIMBENI / AFP
Mulher caminha de máscara Crepy-en-Valois, norte da França Imagem: FRANCOIS NASCIMBENI / AFP

12/03/2020 09h04

Os dirigentes da União Europeia (UE) criticaram hoje a decisão "unilateral" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir o ingresso no país de estrangeiros procedentes da Europa para prevenir a propagação do coronavírus.

"A UE desaprova o fato de que (...) a proibição de viajar tenha sido adotada unilateralmente e sem consulta", diz uma declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de seu colega do Conselho Europeu, Charles Michel.

As autoridades europeias indicaram que a UE "está adotando medidas enérgicas para limitar a propagação do vírus" e "uma crise mundial não limitada a nenhum continente que requer cooperação em lugar de uma ação unilateral".

A Europa registra até o momento 22.307 casos do novo coronavírus e 930 mortes.

Ontem, Trump anunciou a proibição de entrada para os estrangeiros procedentes da Europa, uma medida temporária, que não se aplica ao Reino Unido e que deflagrou uma nova crise nos mercados.

"O nacionalismo não é a resposta à Covid-19, porque os vírus não se importam com as fronteiras, nem com as nacionalidades", afirmou o eurodeputado liberal e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt.

Em um tuíte anterior, Michel, que coordena os trabalhos dos presidentes do bloco, assegurou que a UE vai avaliar a situação nesta quinta, alertando que a decisão de Trump pode implicar uma "perturbação econômica". O Departamento de Estado americano também pediu aos americanos que não viajem para fora do país.

França preocupada com turismo e empregos

A proibição de entrada de europeus nos Estados Unidos foi classificada como "uma catástrofe", afirmaram nesta hoje operadores turísticos franceses. A medida deve afetar cerca de 400.000 pessoas com viagens de turismo ou negócios previstas, segundo os cálculos do setor. Já os hotéis da França estão preocupados com uma parada brutal da chegada de americanos no país.

"Esta é a pior notícia para as companhias aéreas e o pior cenário para nós", disse René-Marc Chikli, presidente do Seto, o sindicato das operadoras de turismo da França. Ele estima que pelo menos 100.000 franceses tinham pacotes de viagens comprados para os meses de março e abril.

O Ministério francês da Europa e Relações Exteriores, responsável pelo turismo, confirmou que o Secretário de Estado Jean-Baptiste Lemoyne receberá os profissionais do setor amanhã. "Nosso único objetivo agora será manter as empresas vivas: as mais frágeis têm apenas algumas semanas de caixa pela frente, as mais sólidas, talvez seis meses", sublinhou René-Marc Chikli.

"Os Estados Unidos são um mercado enorme para nós, que estava crescendo a dois dígitos. Se durar apenas um mês, ainda podemos salvar a temporada de verão. Já havia cerca de vinte países que recusavam os europeus ", lembrou.

"Em 2019, 5 milhões de americanos vieram para a França e, até então, os números mantinham-se nesse nível. O impacto se multiplicará muito rapidamente, nas horas e dias que virão, já que muitos países tomarão essas mesmas providências", reagiu Roland Héguy, presidente da Umih, a principal organização da indústria hoteleira e de alimentação da França.

A medida que tem o objetivo de impedir a transmissão do coronavírus dos dois lados do Atlântico não incluirá o Reino Unido. Um indício de que a decisão de Trump tem outras motivações, na opinião do cientista político Pascal Boniface, do Intituto de Relações Internacionais e Estratégicas da França (IRIS).

"É como se o Brexit tivesse imunizado o Reino Unido do coronavírus e por isso eles são autorizados a viajar. Então, vemos que Trump faz política e comunicação, mas isso não é proteção sanitária," diz o especialista.

"Devemos lembrar que Trump estava na defensiva. Ele havia sido acusado de tratar o coronavírus de fakenews e certamente não considerou o problema com a seriedade necessária. Agora, Trump reage de forma unilateral e isolacionista, criando essa ilusão de que é possível proteger os Estados Unidos do resto do mundo com suas medidas. Na verdade, ele faz campanha eleitoral e não prevenção sanitária", conclui Boniface.

*Com informações da AFP e RFI

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